O sistema constitucional brasileiro não prevê claramente o que fazer se todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estiverem simultaneamente impedidos ou suspeitos em um mesmo caso. Juristas ouvidos pela Gazeta do Povo divergem sobre caminhos possíveis, mas convergem sobre um mesmo diagnóstico: o sistema foi até projetado para lidar com desvios individuais, mas não com um envolvimento simultâneo da maioria de ministros da Corte.

No caso Master, três ministros já se afastaram de discussões relacionadas ao tema, ainda que por razões distintas. Dias Toffoli declarou suspeição por foro íntimo, Kassio Nunes Marques se afastou do julgamento que discutia a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro em razão de sua posição na presidência do TSE, e Moraes reconheceu impedimento em uma ação envolvendo o Banco Master por causa da atuação do escritório de sua esposa.

Outros integrantes, como Luiz Fux e Gilmar Mendes, também tiveram questões apontadas como possíveis vínculos ao caso, embora sem o mesmo grau de evidência que levou ao afastamento dos outros três ministros.

Em uma hipótese extrema, novos afastamentos deixariam apenas quatro ministros em condições de julgar questões relacionadas ao caso: Edson Fachin, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino. A partir daí, surge uma pergunta relevante: o que aconteceria se nem mesmo esses quatro pudessem atuar?