A desaprovação à continuidade do governo Lula — que busca o quarto mandato presidencial — e a antipatia ao sobrenome Bolsonaro serão decisivos na “batalha da rejeição”, que tem peso suficiente para decidir o resultado do segundo turno, no próximo domingo (25). Na balança eleitoral da primeira votação, no último dia 4, o antipetismo pesou a favor de Flávio Bolsonaro (PL), quando o “voto útil” esvaziou as demais candidaturas e deixou o presidente da República atrás do principal nome da oposição.

Nos últimos dias, a polarização calcificada por Lula e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em eleições anteriores fez subir a temperatura da campanha eleitoral, marcada por troca de ataques durante manifestações nas ruas e alta mobilização nos meios digitais.

De um lado, o grupo de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede), chegou a ser retirado do ar por desinformação, com decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. Do outro lado, o PL organizou a militância nas redes sociais e nos grupos de aplicativos, principalmente por meio do canal “Tropa do Flávio”.

Na avaliação do cientista político Leandro Consentino, as campanhas dos dois candidatos à Presidência utilizam um tom que favorece o confronto em detrimento à discussão de propostas. “O tom é dado pelas próprias campanhas, que se autorreferenciam como ‘exército’ e ‘tropa’. Ou seja, o objetivo é ‘aniquilar o inimigo’, como se fosse uma guerra. Isso produz o sentimento de que a eleição é de fato essa aniquilação do outro”, aponta.