O capítulo 15 do meu livro A ciência da política se chama “Luta eleitoral”, e não “Competição eleitoral” ou simplesmente “Eleições”. Por quê? Porque as eleições são uma luta – e luta na lama, em que vale tudo; vocês viram.

No primeiro turno, a eleição parecia decidida para Flávio Bolsonaro. Entre uma votação e outra, Lula fez de tudo: a antecipação do pagamento do Bolsa Família; a aprovação do fim da escala 6×1; a mensagem pelo gov.br convidando os idosos a votar, lembrando que isso podia ser usado como prova de vida para efeitos de Previdência; dezenas e dezenas de fake news contra a direita; Pé de Meia para estudantes universitários; aumento do limite e perdão de dívidas de MEIs; o “exército de Janones”; várias manifestações enormes etc. Um escárnio total. Deveria ser proibido não apenas conceder novos benefícios entre o primeiro e segundo turno (como já é), mas também aprovar qualquer projeto de lei, ou assinar medida provisória.

Várias decisões absurdas do Judiciário favoreceram majoritariamente o PT. Levantamento da equipe jurídica de Lula, que contabilizou decisões do TSE desde fevereiro até o último dia 21 de outubro, registrava 313 vitórias da campanha do presidente contra 182 derrotas, em casos como censura de propagandas ou postagens que ligavam o petista ao crime organizado.

Zanin criou uma bagunça completa que, além do efeito concreto, atingiu muito a percepção de lisura e legitimidade do processo eleitoral