Conhecida pela concentração de arranha-céus e por um dos mercados imobiliários mais valorizados do país, Balneário Camboriú (SC) quer viabilizar até 8 mil moradias acessíveis para tentar evitar que trabalhadores deixem o município em busca de aluguel mais barato em cidades vizinhas. Para isso, a prefeitura criou o programa “Morar BC”, que prevê moradia acessível entre 2027 e 2032 para famílias com renda mensal de até R$ 18 mil.

A proposta mira uma contradição comum a destinos turísticos e mercados imobiliários de alto padrão: a cidade que atrai investimentos, visitantes e novos moradores também precisa garantir espaço para profissionais que sustentam sua rotina, em setores como hotelaria, gastronomia, comércio, construção civil, condomínios e serviços. A prefeitura afirma que parte desses trabalhadores vive hoje em municípios como Camboriú, Itajaí e Itapema, aumentando a dependência de deslocamentos diários para a cidade.

A prefeita Juliana Pavan (PSD) afirma que o programa busca dar “condição de pertencimento” a quem ajudou a construir o crescimento da cidade. “Balneário Camboriú passa por um momento de prosperidade, de valorização imobiliária muito forte, e essa transformação precisa estar também atrelada ao desenvolvimento social”.

O “Morar BC” será estruturado por meio de uma operação urbana consorciada, modelo em que o município pretende combinar investimentos e incentivos públicos com a participação da iniciativa privada para ampliar a oferta de habitação. O cronograma divulgado prevê 2 mil unidades em 2027 e 2028, mais 3 mil entre 2029 e 2030 e outras 3 mil nos dois anos seguintes.