A reportagem de Malu Gaspar no O Globo de hoje revela, com precisão de um relógio suíço, o avanço do regime de exceção no país.Às 21h09 do domingo, o TSE confirmou a derrota de Flávio Bolsonaro. Às 21h16 – sete minutos depois – a Polícia Federal lulista assinou digitalmente a representação pedindo a apreensão dos passaportes do senador. Alexandre de Moraes atendeu ainda naquela noite, sem ouvir a PGR. Na manhã seguinte, a intimação foi cumprida na rua, quando Flávio saía da visita ao pai em prisão domiciliar.

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Sete minutos. Esse é o tempo que o aparato levou para transformar resultado eleitoral em medida cautelar. A fundamentação oficial mistura o fato de Flávio ter figurado como “usuário master” numa conta da Alcazar Holdings (empresa ligada a Willer Tomaz, investigado por lavagem via bets) com uma fala do irmão Eduardo, dias antes, dizendo que, se perdesse, Flávio deveria sair do país. Flávio nunca disse isso. A declaração de terceiro virou “risco de fuga” no exato momento em que o resultado saiu.

Quem acha que a perseguição vai diminuir porque Flávio perdeu está enganado. O contrário é verdadeiro. Sem o risco de chegar ao Planalto, o custo político de avançar contra ele e contra o entorno bolsonarista cai