A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, confirmada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (27), abre um novo desafio para a direita: a reorganização da oposição diante do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Derrotado nas eleições presidenciais, o parlamentar havia anunciado que organizaria a oposição ao governo, mas deixou o país após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes e proibir sua saída do território nacional. 

Na primeira manifestação após deixar o país, na tarde desta quarta-feira (28), o senador Flávio Bolsonaro afirmou que é o “presidente eleito” do Brasil, contestou o resultado das eleições e acusou o STF de promover perseguição política contra ele e sua família. Ele disse também que deixou o país para proteger a família e continuar a atuação política em segurança nos Estados Unidos, de onde pretende liderar a oposição ao governo Lula.

Mas, na avaliação do analista político Alexandre Bandeira, a ausência do senador pode abrir espaço para outras lideranças conservadoras, entre elas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a senadora eleita e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF).

Embora Flávio tenha concentrado na campanha presidencial parte das expectativas da direita para enfrentar o governo Lula, ela avalia que a saída do senador do país cria um obstáculo para a articulação presencial com parlamentares, partidos e aliados.