O presidente nacional do PT, Edinho Silva, rejeitou a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o partido não pretende priorizar o debate sobre anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e descartou discussões internas sobre a criação de novos impostos.
Segundo ele, a prioridade da legenda é a “defesa da democracia e das instituições”.
Em entrevista ao Poder360, publicada nesta terça-feira (3), Edinho classificou o impeachment de ministros do STF como uma medida que enfraqueceria a democracia.
Sobre a anistia, afirmou que a discussão sobre a redução das penas não deve ocupar o centro do debate político neste momento.
Na área econômica, o dirigente negou que o PT discuta a criação de novos tributos ou de um imposto sobre grandes fortunas.
Também comentou a política de juros, a atuação da Polícia Federal no caso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a articulação política do governo Lula para o próximo mandato.
PT vê impeachment de ministros do STF como ameaça às instituições
Edinho Silva defendeu uma reforma do Poder Judiciário, mas afirmou que o PT não apoiará processos de impeachment contra ministros do Supremo.
“Na minha avaliação, o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, nas circunstâncias atuais, enfraqueceria a democracia e as próprias instituições”, declarou.
O presidente do PT disse que a legenda aprovou, em seu 8º Congresso Nacional, realizado em 2026, a defesa de reformas política, eleitoral e do Judiciário.
Ele também citou uma declaração de Lula sobre o sistema institucional brasileiro: “O sistema apodreceu”.
“Precisamos corrigir rumos, enfrentar problemas e promover reformas urgentes para fortalecer a democracia brasileira”, afirmou.
Segundo Edinho, o partido não aderirá a iniciativas que, sob o argumento de corrigir problemas, “fragilizem as instituições”.
VEJA TAMBÉM:
-

Mercado eleva projeções de juros e inflação no primeiro Focus após reeleição de Lula
-

Gleisi volta a atacar mercado e recua na defesa do tabelamento de juros
Partido quer adiar discussão sobre a Lei da Dosimetria
Edinho diz que a prioridade do PT não é discutir a Lei da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados pelos protestos anti-Lula de 8 de janeiro.
“Penso que a prioridade do Brasil, neste momento, não é o debate sobre a dosimetria das penas. A prioridade absoluta deve ser a defesa da democracia, das instituições brasileiras e da legitimidade do nosso processo eleitoral”, disse.
A legislação entrou em vigor em maio de 2026, após o Congresso derrubar o veto de Lula.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu liminarmente sua aplicação, enquanto ações questionam a validade da norma na Corte.
Para Edinho, eventual diálogo sobre a redução das penas deve ocorrer somente depois de um “ambiente de pacificação nacional”.
Ele também criticou os questionamentos de Flávio Bolsonaro ao resultado da eleição presidencial e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Não podemos permitir que esse debate se sobreponha à necessidade de defender a democracia”, afirmou.
Edinho considera inoportuna apreensão de passaporte de Flávio Bolsonaro
Edinho também avaliou a atuação da Polícia Federal (PF) e a decisão de Alexandre de Moraes sobre os passaportes de Flávio Bolsonaro.
A PF pediu a retenção dos documentos sete minutos depois da proclamação do resultado da eleição presidencial de 25 de outubro. O ministro autorizou a medida.
Embora tenha afirmado que não conhece os fundamentos jurídicos da decisão, o presidente do PT considerou que o momento escolhido foi politicamente inadequado.
“Exclusivamente do ponto de vista político, e não jurídico, considero que talvez a decisão tenha sido inoportuna naquele momento. Penso que poderia ter sido mais adequado aguardar a consolidação do resultado eleitoral e, posteriormente, caso houvesse necessidade, adotar as medidas cabíveis”, declarou.
Ele acrescentou que uma eventual espera poderia evitar questionamentos sobre o momento da decisão e reduzir o espaço para que Flávio se apresentasse como vítima de perseguição.
Dirigente descarta proposta para reduzir juros
Na economia, Edinho afirmou que o PT não debateu a proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para reformular a política monetária e permitir cortes mais rápidos na taxa básica de juros.
“Essa proposta nunca foi debatida no PT ou com o presidente Lula, nem há agenda construída para isso”, afirmou.
O dirigente também descartou a existência de uma discussão interna sobre a criação de novos impostos ou de um tributo sobre grandes fortunas.
“Não existe, dentro do Partido dos Trabalhadores, nenhum debate sobre a criação de novos impostos. Essa discussão nunca esteve presente na nossa campanha eleitoral, tampouco foi pautada pelo PT no último período”, disse.
Em contrapartida, defendeu a continuidade da reforma tributária sobre a renda, a redução de impostos sobre salários e pequenos negócios e a revisão das desonerações fiscais concedidas a setores da economia.
“É urgente avaliar todas as desonerações que hoje são financiadas pelo conjunto da sociedade brasileira. Precisamos saber quais delas efetivamente atendem ao interesse público, quais são estratégicas para o desenvolvimento econômico e quais representam benefícios que não se justificam”, afirmou.
O dirigente, porém, não apontou áreas específicas para cortes de despesas públicas quando questionado sobre a necessidade de um ajuste fiscal.
Edinho concorda com proibição das bets, mas defende transição
Edinho Silva concordou com a decisão de Lula de proibir as apostas on-line, mas alertou para o risco de a medida ampliar o mercado clandestino.
Segundo ele, a atividade ilegal pode acabar nas mãos do crime organizado e servir à lavagem de dinheiro.
“O PT nunca formulou uma posição coletiva sobre as bets”, afirmou.
O dirigente defendeu um processo de transição que considere a participação das empresas de apostas no financiamento do futebol brasileiro, com a preservação de direitos.
PT não tem posição unificada sobre taxa das blusinhas
Sobre o fim da chamada taxa das blusinhas, Edinho afirmou que o PT não tem uma posição unificada.
Ele defendeu uma solução que concilie o acesso de consumidores de baixa renda às compras internacionais com a proteção do comércio brasileiro.
“Essa é uma posição pessoal. Precisamos preservar o direito dos setores populares de realizar compras on-line, [mas] penso que é necessário construir uma mediação que considere também a realidade dos comerciantes brasileiros [para] preservar o pequeno e o médio comércio e considerar os impactos dessa política sobre o conjunto do varejo brasileiro”, declarou.
Edinho admite negociar regras de transição para fim da escala 6×1
Edinho Silva defendeu a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, mas afirmou que há espaço para negociar as regras de transição.
Segundo ele, é necessário considerar as particularidades de cada setor da economia.
“É necessário olhar para as particularidades de cada setor e dialogar sobre as regras de transição, considerando suas diferentes realidades”, afirmou.
Partido quer apoio a Motta e Alcolumbre no Congresso
O presidente do PT também defendeu a construção de uma aliança para apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara dos Deputados e de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no Senado.
Segundo ele, a prioridade é impedir que representantes da direita conquistem o comando das duas Casas. Edinho classificou setores ligados ao bolsonarismo como de “inspiração fascista”.
“Se essa construção resultar na unidade em torno da candidatura de Hugo Motta à presidência da Câmara e de Davi Alcolumbre à presidência do Senado, o PT apoiará as duas candidaturas”, declarou.
Ele também defendeu que os partidos aliados participem do quarto governo Lula mediante compromissos institucionais com a sustentação do presidente no Congresso, e não por meio de acordos individuais com parlamentares.
Dirigente reconhece dificuldades na campanha de Lula
Ao avaliar a campanha presidencial de 2026, Edinho reconheceu dificuldades para ampliar o diálogo com o eleitorado, mas atribuiu parte dos obstáculos a fatores externos, como as denúncias envolvendo o STF, a atuação das grandes empresas de tecnologia e o desgaste diplomático com os Estados Unidos.
O dirigente também afirmou que a candidatura de Lula enfrentou uma correlação de forças desfavorável e destacou a mobilização de partidos aliados e movimentos sociais.
Sobre o resultado eleitoral, afirmou que o partido precisa recuperar sua organização de base, ampliar a presença nas redes sociais e apresentar respostas para temas como segurança pública e empreendedorismo.
“Não podemos continuar convivendo com um amontoado de projetos pessoais, em que muitas vezes os interesses individuais se sobrepõem ao projeto coletivo”, declarou ao defender mudanças na estrutura interna do PT.

















Leave a Reply