Recebo com profunda tristeza o resultado das eleições presidenciais. É impossível ignorar a contradição que esse resultado coloca diante de nós: em um país no qual, segundo pesquisa Poder Data, 68% da população se declara contrária ao aborto e a favor da defesa da vida, foi reeleito um presidente que já defendeu publicamente seu tratamento como direito e questão de saúde pública.

Evidentemente, ninguém vota considerando apenas uma pauta, e seria incorreto atribuir a todos os eleitores as posições do candidato escolhido. Isso, porém, não diminui a gravidade das questões que precisam ser discutidas. A proteção da vida humana desde a concepção não deveria desaparecer do debate público em meio às disputas partidárias.

Quando uma questão tão fundamental perde espaço na discussão eleitoral, há motivos legítimos para preocupação. O silêncio diante dessa realidade não contribui para esclarecer os brasileiros sobre as consequências das decisões tomadas em seu nome.

A defesa da vida não começa nem termina nas urnas. Ela se realiza no acolhimento das mulheres que enfrentam gravidezes difíceis, no cuidado com crianças e famílias vulneráveis, na educação, na produção de conhecimento e na disposição de discutir publicamente questões que muitos prefeririam evitar