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Não se pode achar que a IA vai fazer mágica, diz CEO do Mercado Pago

Em entrevista ao programa É Negócio, o CEO do Mercado Pago, Andre Chaves, falou sobre a evolução da inteligência artificial e seu impacto nas operações da empresa. Para ele, a tecnologia tem valor real para consumidores e empreendedores, mas não deve ser encarada como uma solução mágica.

“Como empresa, a gente tem uma filosofia de que boas tecnologias sempre vencem. A gente acredita que isso aqui é uma boa tecnologia que tem valor para consumidores, para empresários, para empreendedores”, afirmou Chaves.

Assistente pessoal e de negócios

Chaves destacou que o Mercado Pago tem investido no desenvolvimento de um assistente conversacional dentro do aplicativo, voltado tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. Segundo ele, a ferramenta começou com funções transacionais básicas, como realizar transferências via Pix, mas já evoluiu para tarefas mais sofisticadas.

“Ele hoje já consegue organizar o meu dinheiro. Você fala para ele: paga essas contas para mim, mas paga só no vencimento e separa o dinheiro num cofrinho para ele ir rendendo até o dia do vencimento. Ele faz isso”, explicou.

O executivo também mencionou que a empresa planeja expandir o assistente para clientes pessoa jurídica, com uma interface amigável que antecipe necessidades e sugira ações ao usuário.

Além disso, ferramentas de inteligência artificial já estão sendo usadas pela força de vendas em campo, auxiliando desde a abordagem comercial até a definição de rotas de atendimento.

Uso interno e ganhos de produtividade

Internamente, a IA também transformou a forma de trabalho dos funcionários do Mercado Pago. Chaves explicou que o acesso a informações ficou muito mais ágil, eliminando a necessidade de acionar analistas para processar dados.

“Se eu já tenho alguns agentes no meu computador, eu consigo entender o que está acontecendo com a carteira de crédito, com as vendas, de forma muito simples”, disse.

Outro avanço apontado foi a automação de processos antes manuais, como gestão de fraude, validação de identidade e atendimento ao cliente. “Hoje a gente já tem mais de 90% do nosso atendimento feito por IA, com uma situação melhor do que um atendimento por humanos”, revelou Chaves.

Senso crítico diante da IA

Questionado sobre os riscos de uma confiança excessiva na tecnologia, Chaves foi enfático ao alertar que a inteligência artificial ainda está em estágio de maturidade e pode cometer erros.

“A melhor forma de encarar isso é você não achar que a inteligência artificial vai fazer mágica. Ela não vai, com uma frase, adivinhar o que está na sua cabeça e vai construir um contexto”, afirmou.

Para lidar com esse desafio, o executivo disse adotar uma prática pessoal de sempre iniciar consultas à IA com perguntas cujas respostas já conhece, como forma de verificar a confiabilidade das respostas.

Ele também comparou o uso da tecnologia ao trabalho com um analista humano: “Você tem que pensar nela como se fosse um analista da sua equipe. O analista da sua equipe, você vai dar uma tarefa, ele vai devolver uma tarefa, às vezes vai precisar de uma revisão.”

No caso do agente de atendimento, Chaves afirmou que a equipe de tecnologia realiza treinamentos constantes para corrigir falhas identificadas nas interações com os clientes.

É Negócio 

O programa É Negócio é uma parceira do NeoFeed com a CNN Brasil, Carlos Sambrana entrevista os executivos e líderes das maiores companhias do Brasil. Acompanhe os episódios inéditos, todos os domingos, às 20h45 na CNN Brasil, com reprise às quartas-feiras, às 19h15 no CNN Money.

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