O presidente americano, Donald Trump, compartilhou, nesta terça-feira (23), um texto do portal Newsmax apontando a eleição presidencial brasileira como o próximo grande foco de atenção na América Latina. A publicação argumenta que as prováveis vitórias da direita na Colômbia e no Peru representariam trunfos para o líder norte-americano, e destaca o Brasil como o próximo grande teste.
Segundo o texto compartilhado por Trump, a eleição brasileira poderia mudar drasticamente o mapa político da América Latina. O artigo também cita outros países da região que elegeram governos de direita desde 2019.
Apoio condicionado às pesquisas
Para o analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna, o comportamento de Trump segue um padrão claro: ele declara apoio a candidatos de direita de forma mais ostensiva apenas quando esses candidatos apresentam boa margem de vantagem nas pesquisas.
“Ele diz: eu não gosto de ser associado a perdedores”, explicou Sant’Anna. Foi por esse motivo, segundo o analista, que Trump se afastou de Jair Bolsonaro quando o STF manteve o julgamento, a condenação e a inelegibilidade do ex-presidente brasileiro.
Sant’Anna lembrou ainda que, após o afastamento de Bolsonaro, Trump aproximou-se do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando que ambos teriam em comum o histórico de terem sido perseguidos pela justiça de seus respectivos países e de terem superado essas adversidades.
Agora, de acordo com o analista, Trump enxerga na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) uma oportunidade de demonstrar sua capacidade de eleger presidentes de direita na região.
“Mas ele só vai fazer isso se tiver segurança da vitória”, afirmou.
Caso colombiano como exemplo
Sant’Anna citou o caso da Colômbia para ilustrar os riscos de um apoio prematuro.
Quando Trump declarou apoio a Abelardo de la Espriella, o candidato contava com cerca de 10 pontos de vantagem nas pesquisas. Após a declaração, essa margem evaporou.
“Não podemos dizer com certeza que foi consequência da declaração de Trump, mas, com certeza, podemos dizer que a declaração de Trump não ajudou na campanha de De La Espriella”, avaliou o analista.
Segundo Sant’Anna, em geral as pessoas não apreciam intervenções de outros países em seus processos eleitorais, especialmente de uma nação tão poderosa quanto os Estados Unidos.
“Geralmente, o efeito é o inverso do esperado”, disse. A exceção, na visão do analista, seria a Argentina, país que dependia fortemente de apoio financeiro norte-americano para evitar a insolvência, com bilhões de dólares concedidos pelo FMI com suporte dos Estados Unidos.
Interesse de ambos os lados
De acordo com Sant’Anna, tanto Flávio Bolsonaro quanto Lula teriam interesse no apoio de Trump, mas por razões opostas.
Flávio Bolsonaro se beneficiaria porque seu eleitorado se sente alinhado identitariamente com o republicano. Já Lula, segundo o analista, saberia que o apoio de Trump tende a retirar votos do candidato apoiado.
Ao mesmo tempo, Trump desejaria manter uma boa relação com o Brasil independentemente do resultado eleitoral, para se consolidar como líder regional sem entrar em conflito com o principal país da América Latina.

















Leave a Reply