A possível reabertura do Estreito de Ormuz representa uma perspectiva positiva para a economia brasileira, segundo levantamento realizado pela Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais).
A normalização da rota pode aliviar custos logísticos, trazer mais previsibilidade para a cadeia de suprimentos e favorecer o comércio internacional do país.
Apesar do cenário mais favorável, Verônica Winter, da Fiemg, recomenda que empresários mantenham postura cautelosa diante da situação.
“Ainda é importante que tenha cautela, que os empresários façam essa gestão do risco”, afirmou.
Segundo ela, trata-se de uma área estratégica e tradicionalmente instável, com histórico de conflitos que podem impactar o processo ao longo do tempo.
“Ainda não é de se comemorar completamente, mas ter uma perspectiva positiva de que a reabertura vai trazer esses pontos positivos”, pontuou.
Ela destaca que é fundamental que os empresários realizem análise estratégica, calculem riscos e considerem prazos de negociações de acordo com as particularidades de cada setor.
Vulnerabilidade do Brasil em fertilizantes
O fechamento do estreito evidenciou a dependência do Brasil em relação a insumos para fertilizantes provenientes da região.
Dados da Fiemg apontaram queda expressiva nas importações de enxofre e disparada nos preços — em maio, o aumento chegou a mais de 180%.
Verônica Winter ressaltou que o Brasil tem buscado alternativas para reduzir essa dependência, com destaque para a diversificação de fornecedores.
“A gente importou mais de países como Turcomenistão e Cazaquistão esses insumos para fertilizantes”, explicou.
A especialista também destacou a relação de interdependência entre o Brasil e a região do Golfo Pérsico.
Enquanto o país importa insumos essenciais para a agroindústria, exporta para a região produtos como carnes, inclusive com certificação halal, que é exigida por esses mercados.
“Existe essa troca, esse intercâmbio”, afirmou Verônica Winter.
Impacto no minério de ferro e lições geopolíticas
As exportações de minério de ferro de Minas Gerais também foram afetadas durante o período de fechamento do estreito.
Segundo a análise da Fiemg, houve redução expressiva do minério exportado para a região, mas o fenômeno é parte de uma conjuntura mais ampla.
“Envolve também a demanda que tem sido reduzida do minério pela China e por outros países”, explicou Winter, acrescentando que o fechamento do estreito teve participação nessa conjuntura, mas não é o único fator.
Diante de um cenário global cada vez mais fragmentado e instável, a principal lição identificada pela Fiemg é a necessidade de gestão de riscos.
O fechamento do estreito provocou aumento nos fretes e seguros, com valores próximos aos registrados durante a pandemia.
“Os empresários estão mais preocupados com essas instabilidades e como fazer essa gestão desses riscos”, concluiu Verônica Winter, citando fatores como conflitos, disputas comerciais e questões ambientais como variáveis que pressionam a cadeia produtiva.

















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