O governo Tarcísio de Freitas publicou as novas diretrizes para as escolas cívico-militares na rede estadual de ensino de São Paulo. O regimento geral, oficializado no último dia 18, reformula a conduta de monitores militares e as exigências sobre a aparência dos estudantes. As mudanças ocorrem após decisões judiciais questionarem o modelo experimental e buscam equilibrar a gestão civil e militar.

Quais são as principais mudanças para os monitores militares?

O novo regimento proíbe de forma total o porte de arma por monitores dentro das unidades escolares, eliminando brechas da versão anterior que permitiam o armamento não ostensivo. Além disso, a autonomia desses profissionais foi reduzida: agora, o núcleo militar deve se limitar estritamente a atividades cívicas fora da sala de aula, como formaturas e hinos. Tarefas administrativas e disciplinares, como o lançamento de ocorrências e a escala de líderes de turma, passaram para as mãos da equipe civil, garantindo que o conteúdo pedagógico seja de inteira responsabilidade dos educadores.

O que mudou nas regras de aparência e cabelo para os alunos?

O guia de uniformes sofreu uma simplificação radical e deixou de detalhar proibições específicas sobre cortes de cabelo e barba. Na versão experimental anterior, havia vetos a cabelos raspados, desenhos na sobrancelha, barbas e penteados específicos para meninas. No novo texto, essas regras minuciosas foram retiradas. Agora, cada escola tem liberdade para criar suas próprias normas de apresentação pessoal, desde que sejam aprovadas pelo Conselho de Escola e respeitem princípios de razoabilidade e proporcionalidade, garantindo que não haja qualquer tipo de discriminação contra os jovens.

Como o novo regimento trata questões de identidade e gênero?

Seguindo orientações da Justiça paulista, o documento inseriu uma cláusula geral que veda restrições baseadas em identidade de gênero, orientação sexual, etnia ou religião. Isso significa que nenhuma norma interna pode punir ou limitar expressões culturais, como o uso de tranças ou adereços religiosos. O objetivo é evitar o potencial discriminatório apontado pelo Ministério Público em regimentos passados. O sistema de créditos comportamentais, que premia bons alunos com medalhas e elogios, continua existindo, mas sua aplicação agora deve obrigatoriamente seguir o Estatuto da Criança e do Adolescente.