
Na semana passada, o advogado-geral da União, Jorge Messias, convidou para um almoço o ex-ministro da Justiça, ex-ministro do Supremo e ex-advogado do Master Ricardo Lewandowski; o atual ministro da Justiça, Wellington Silva; o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza; e Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal. Qual foi o cardápio desse almoço? Oficialmente, era a entrega de uma medalha para Urquiza. Mas não deve ter sido só isso. Certamente Lula pediu a Messias que resolvesse uma certa questão. E o que teria de ser resolvido, que envolve a PF, a Interpol – que atua na Espanha também –, Lewandowski e o ministro da Justiça? Bem, a PF está investigando Lulinha, está investigando o Marcola do Lula… deve ser isso, não?
O relator das investigações contra Lulinha é André Mendonça, que virou uma referência de legalidade no Supremo. Mendonça é presbiteriano, e faz sermões sobre trechos do Antigo Testamento. É lá que está a história de Sodoma e Gomorra; se houvesse dez justos naquelas cidades, não teria havido a chuva de enxofre e fogo. Não seria maravilhoso haver dez justos no Supremo, além de André Mendonça? Mas, hoje, esses são sonhos utópicos.
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A Polícia Federal é uma polícia de Estado, uma instituição permanente como o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Se ela virar uma força política a serviço de um governo, ela acaba, porque aquilo que está na política fica sujeito a crítica, fica sujeito ao julgamento do povo, e ela deixa de ser uma polícia que está do lado da lei para estar do lado das tendências políticas, sendo usada como guarda pretoriana. A PF é a instituição de polícia judiciária do Estado brasileiro, da União, e não existe apenas para cuidar de fronteiras e crimes federais.
Se não deve haver investigação porque contrato não foi fechado, por que investigam “golpe” que não deu certo?
Já vi gente com o seguinte raciocínio: “Lulinha e Roberta, talvez também o Kalil, tentaram vender para o Ministério da Saúde 1,2 milhão de frascos de canabidiol por R$ 626 milhões, mas não venderam, então não há nada para investigar”. Mas, se for assim, por isonomia, analogamente, também não haveria “golpe” nenhum para investigar, certo? Ninguém tirou o governo, não “fecharam o contrato”, se é que houve algum. Então, vamos botar um pouco de racionalidade nessa discussão.
Aécio tem tudo para repetir Dilma em 2018
Aécio Neves aceitou ser candidato ao Senado por uma coligação entre PSDB e PDT? Eu imaginei, aqui, se Dilma Rousseff pudesse dizer algo a ele, seria “você será eu em outubro”. Em 2018, Dilma ficou em quarto lugar na eleição para o Senado em Minas. Ricardo Lewandowski e o Senado rasgaram o parágrafo único do artigo 52 da Constituição, quando Dilma sofreu impeachment, mas não ficou inelegível, como manda a Constituição. O eleitor mineiro teve de fazer o trabalho, derrotando-a nas urnas.
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Não faz sentido esperar que candidato já declare quem apoiaria em segundo turno
Vejo gente reclamando porque Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal, disse que a PF é imparcial e não trabalha com viés político. “Ele mentiu”, dizem. Mas como ele iria dizer algo diferente? Ele jamais diria o contrário, que é parcial, que está obedecendo a recomendações do presidente da República. Da mesma forma, vieram comentar comigo que Renan Santos não disse quem ele apoiaria se não chegasse ao segundo turno. Mas é claro que não disse! Como é que um candidato que está querendo chegar ao segundo turno vai considerar publicamente a possibilidade de não estar lá? Ele não respondeu porque, se respondesse, seria um idiota. As pessoas não pensam, o pensamento vai só dez milímetros à frente. Candidatos estão sempre com o pé atrás, sempre prontos, atentos.
Vi a entrevista de Renan Santos, e já comentei aqui. Também acho que Flávio Bolsonaro se saiu bem, e a dupla de entrevistadores da Globo se saiu muito bem em todas as sabatinas. Já o Lula foi destruído pelo Luiz Inácio; o Luiz Inácio disse tanta coisa que deixou muito mal o candidato Lula. Mais uma vez, ficou parecido com aquele último debate da eleição de 1989. Fora essa história de usar chapéu em lugar fechado, sentado à mesa, diante de uma senhora. No mínimo, isso é muito exótico.

















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