O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outros 74 alvos da Operação Lava Jato estarão nas urnas nas eleições de 2026 em busca de diferentes cargos, segundo apuração publicada nesta segunda-feira (31) pelo site Poder360. O levantamento foi baseado em registros da Justiça Eleitoral, inquéritos e informações publicadas na imprensa.
Entre os 75 candidatos identificados, nove chegaram a ser presos durante os desdobramentos da operação, embora nem todos tenham mantido condenações válidas.
A lista reúne situações jurídicas diferentes, incluindo pessoas que foram apenas investigadas, tiveram denúncias rejeitadas, inquéritos arquivados ou condenações posteriormente anuladas. Em alguns casos, houve cumprimento total ou parcial de penas antes de decisões judiciais modificarem o resultado dos processos.
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O caso mais conhecido é o de Lula, que permaneceu 580 dias preso, entre 7 de abril de 2018 e 8 de novembro de 2019, após ser condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do tríplex do Guarujá. A sentença em primeira instância foi proferida pelo então juiz Sergio Moro (atual candidato do PL ao governo do Paraná), com base em denúncia apresentada pela força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF).
A situação jurídica do petista mudou em 2021 quando o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou as condenações da Lava Jato ao entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos. A decisão foi posteriormente confirmada pelo plenário da Corte.
Embora afirme que não há mais condenações, Lula não foi declarado inocentado nas decisões e os processos foram remetidos à primeira instância, sendo posteriormente considerados prescritos.
Depois da reviravolta judicial, Lula disputou a presidência em 2022 e venceu o então presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. Em 2026, o petista tenta a reeleição, enquanto outros nomes que tiveram algum tipo de envolvimento com a Lava Jato também buscam retornar ou permanecer na política.
Entre os candidatos que chegaram a ser presos estão André Vargas (PT-PR), Beto Richa (PSDB-PR), Delcídio Amaral (PRD-MS), Delúbio Soares (PT-GO), Eduardo Cunha (Republicanos-MG), Luiz Argôlo (Republicanos-BA), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Zé Dirceu (PT-SP), além de Lula.
Outros integrantes de destaque do PT aparecem na relação, mas com situações jurídicas distintas. Gleisi Hoffmann (PT-PR), candidata ao Senado, foi absolvida das acusações relacionadas à Lava Jato, enquanto Delúbio Soares teve condenação anulada e Edinho Silva, candidato a deputado federal por São Paulo, teve inquéritos arquivados.
Fernando Haddad (PT-SP), candidato ao governo paulista e ex-ministro da Fazenda de Lula, também aparece entre os nomes investigados. Ele foi alvo de acusações relacionadas a corrupção passiva, lavagem de dinheiro, caixa dois eleitoral e formação de quadrilha, mas teve o inquérito da Lava Jato arquivado e foi absolvido ou teve os procedimentos encerrados nas acusações.
O PT é o partido com maior número de candidatos que foram alvos da operação, com pelo menos 22 nomes, seguido pelo Progressistas, com 13, e pelo MDB, com nove. Na sequência aparecem PSD, com sete candidatos, e Republicanos, com seis.
Também estão na lista Ciro Nogueira (PP-PI), candidato ao Senado, que teve denúncias rejeitadas; Arthur Lira (PP-AL), também candidato ao Senado, com denúncias rejeitadas; Geraldo Alckmin (PSB-SP), candidato à reeleição como vice-presidente na chapa de Lula, com ação trancada pela Justiça; e Onyx Lorenzoni (PP-RS), candidato a deputado federal, que teve inquérito arquivado.
A distribuição dos candidatos pelos cargos mostra que a Câmara dos Deputados é o principal destino dos nomes ligados à Lava Jato. O levantamento aponta:
- 39 candidatos a deputado federal;
- 17 candidatos ao Senado;
- 8 candidatos a governador;
- 5 candidatos a deputado estadual;
- 3 candidatos a vice-presidente;
- 2 candidatos a primeiro suplente de senador;
- 1 candidato a presidente.
O levantamento também apurou o valor do patrimônio declarado à Justiça Eleitoral: 54 dos 75 candidatos informaram possuir mais de R$ 1 milhão em bens. Desse grupo, 15 declararam patrimônio superior a R$ 10 milhões.
O que foi a Lava Jato
A Operação Lava Jato começou em março de 2014 para investigar um esquema de pagamento de propinas envolvendo contratos da Petrobras, construtoras, políticos e empresas privadas. Ao longo dos anos, a operação produziu centenas de investigações e condenações, mas parte delas acabou anulada ou revista por decisões judiciais.
Em 2019, mensagens trocadas entre Sergio Moro e procuradores da República foram divulgadas por hackers no episódio que ficou conhecido como “Vaza Jato”, o que levou às anulações pelo STF. Os processos foram enviados para outras instâncias, incluindo os casos envolvendo Lula.
Em março de 2021, a 2ª Turma do Supremo declarou Moro suspeito no processo do tríplex, e, no mês seguinte, o plenário confirmou a anulação das decisões da Justiça Federal de Curitiba contra Lula em quatro processos da Lava Jato.
Apesar das anulações ocorridas no Brasil, processos derivados da Lava Jato continuaram correndo em outros países. Em maio de 2026, um tribunal de Londres autorizou a agência britânica Serious Fraud Office a continuar utilizando provas obtidas no Brasil em um processo que envolve o confisco de 7,3 milhões de libras de um ex-engenheiro da Petrobras acusado de repassar propinas.

















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