Joe Biden e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentaram um delicado desafio comum no exercício de suas presidências: saber lidar com um filho investigado pela Justiça do país que lideram. Antes de deixar o poder, o americano usou a caneta para perdoar Hunter Biden. Já o brasileiro afirma, até agora, que não fará nada para salvar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Hunter chegou ao fim do governo do pai condenado por três crimes federais relacionados à compra de uma arma e culpado em um processo tributário. Biden, que por anos assegurou não interferir na Justiça nem dar o perdão presidencial ao filho, mudou de posição às vésperas de sair da Casa Branca.

Em dezembro de 2024, Biden concedeu a Hunter o perdão presidencial pleno e incondicional. A medida não alcançou apenas os processos existentes; ela também protegeu o filho enrolado de eventuais crimes federais cometidos ou dos quais tivesse participado entre janeiro de 2014 e dezembro de 2024.

Biden justificou a reviravolta fazendo a recorrente alegação de perseguição política e tratamento desigual. Disse acreditar na Justiça, mas sustentou que a política contaminara o processo. Na prática, ele fez o que prometeu não fazer: utilizou uma prerrogativa exclusiva do cargo para proteger o filho.