A percepção do eleitor sobre o preço dos alimentos, o endividamento e o custo de vida deve ter mais peso na eleição de 2026 do que apontam os indicadores econômicos oficiais, avalia o analista político Caio Coppolla.

Em entrevista concedida à Gazeta do Povo durante o evento “Money Week 2026″*, realizado na última semana em Balneário Camboriú (SC), ele afirmou que o desgaste no cotidiano das famílias pode favorecer a oposição ao governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição ao cargo.

“Existe uma diferença entre o ‘Brasil do IBGE’ e o ‘Brasil do supermercado’, e essa insatisfação acaba se traduzindo em voto”, afirmou Coppolla. O analista político exemplifica relembrando que a principal promessa da campanha de Lula em 2022 — simbolizada pela picanha — não se materializou na experiência econômica de parcela dos brasileiros. Para ele, o aumento do custo de vida e o hiperendividamento das famílias criaram um ambiente de frustração que tende a influenciar a escolha eleitoral.

Na avaliação de Copolla, corrupção, criminalidade, custo de vida e censura formam os “quatro Cs” que devem pautar a insatisfação de parte do eleitorado em 2026. Mas o componente econômico, afirmou, atravessa os demais temas.