O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, solicitou a abertura de uma investigação contra o colega de Corte, André Mendonça. O pedido, encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, baseia-se em documentos de inteligência da Polícia Federal que apresentam ressalvas sobre a própria veracidade e falta de provas concretas, gerando um clima de tensão institucional no tribunal.

Quais são as principais falhas apontadas nos relatórios usados por Moraes?

Os quatro relatórios da Polícia Federal que servem de base para o pedido de Moraes não possuem data, assinaturas e são classificados apenas como documentos de trabalho. Os próprios investigadores que escreveram os textos alertam que as informações ali contidas não têm valor de prova judicial e que algumas conclusões vão além do que os dados podem realmente comprovar. Além disso, a equipe de inteligência rotulou a tese de que André Mendonça agia por motivação política como sendo de confiança baixa, indicando que o uso dessas suspeitas de forma externa ao relatório seria precipitado.

O que significa o termo suspeição reversa mencionado pela Polícia Federal?

A suspeição reversa é um alerta feito pela própria Polícia Federal admitindo que a corporação pode ter um viés ou preconceito contra o ministro André Mendonça. Isso acontece porque a PF se reconhece como parte interessada na disputa, admitindo o risco de um raciocínio motivado por frustrações com decisões anteriores tomadas pelo magistrado. Na prática, os policiais avisaram no documento que suas análises poderiam estar contaminadas por interesses institucionais, uma cautela que juristas afirmam ter sido desconsiderada por Moraes ao transformar as hipóteses em acusações formais.

Quais episódios específicos foram citados como supostos desvios de conduta?

O documento cita suspeitas sobre a atuação de Mendonça nos casos envolvendo o Banco Master e o INSS. Um dos pontos curiosos é o relato de que Mendonça teria entregue uma ordem judicial fisicamente, em papel, antes de assinar o documento no sistema eletrônico. Embora a PF tenha verificado que os textos eram idênticos, Moraes tratou o caso como uma irregularidade grave. Outro ponto é uma análise estatística que sugere que Mendonça acelerava processos contra opositores e atrasava casos de aliados, mas a própria PF ressaltou que esse dado era apenas uma suspeita circunstancial e frágil.