A retirada do inquérito das fake news das mãos de Alexandre de Moraes, ocorrida na quarta-feira (9), está longe de significar o esvaziamento do poder extraordinário acumulado pelo ministro no Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2019.

Moraes perde a condução do Inquérito 4.781 e das investigações diretamente vinculadas a ele, mas continuará responsável pelas ações penais que já tiveram denúncia recebida, seguirá no comando do inquérito das milícias digitais, mantém sob sua relatoria os processos relacionados ao 8 de Janeiro, continua relator de casos como os de Eduardo Tagliaferro e Silas Malafaia e ainda ocupa a Vice-Presidência do Supremo. Em setembro de 2027, se a tradição da Corte for mantida e não houver impeachment, poderá dar um passo além: assumir a Presidência do STF.

A mudança no inquérito das fake news foi determinada na quarta pelo presidente do STF, Edson Fachin, na Portaria 189. O ato revogou a designação feita em 2019 pelo então presidente do STF Dias Toffoli, que havia escolhido Moraes diretamente, sem sorteio, para conduzir o 4.781.

A portaria, porém, limita o alcance da mudança: apenas as investigações ainda em andamento e vinculadas ao inquérito das fake news deixam as mãos de Moraes e passam para a Presidência do STF. Os casos que já viraram ação penal, com denúncia aceita pelo Supremo, continuam sob relatoria do ministro.