
Apontado pela Polícia Federal (PF) como executor operacional e líder de uma espécie de milícia privada que atendia aos interesses de Daniel Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, enviou uma captura de tela do ePol, sistema interno da PF ao banqueiro.
Na imagem, que consta de relatório de investigação enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça nesta sexta-feira (11), uma pesquisa pelo parâmetro “Daniel Vorcaro” retornava inquéritos policiais e cartas precatórias relacionadas ao ex-dono do Banco Master.
O print foi enviado a Vorcaro por mensagem de WhatsApp em 15 setembro de 2025. Uma auditoria interna determinada pela corporação identificou que a consulta clandestina partiu da Delegacia da PF em Juiz de Fora (MG).
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O relatório também registra consultas e extrações de dados do sistema Infoseg, gerenciado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). A plataforma, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, centraliza e agiliza consultas sobre indivíduos, veículos, armas e outros elementos essenciais para a segurança pública, justiça, controle e fiscalização.
Sicário chefiava uma organização chamada de “A Turma”, que, segundo as investigações, executava ordens diretas de Vorcaro para constranger e ameaçar adversários e ex-funcionários.
Ele morreu após ter sido preso em março deste ano. De acordo com a polícia, tentou suicídio na carceragem da PF em Belo Horizonte e não resistiu após ter sido levado ao hospital.
Conversas mencionam acesso a sistemas do FBI e da Interpol
Além dos sistemas da PF, o grupo de Sicário teria realizado consultas e extrações clandestinas de informações, por meio de logins de terceiros, em bases de dados do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Civil, do Banco Central (BC) e até mesmo de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol.
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Em 24 de outubro de 2025, ele enviou a Vorcaro uma captura de tela com a identificação da Interpol contendo o nome “Daniel Vorcaro” no campo de busca.
“O que esta em branco foi para ocultar o nome de quem fez a pesquisa”, escreveu. “Estamos aguardando o relatório principal do FBI. A interpol está limpa.”
Consultado pela PF, o órgão de representação da Interpol no Brasil informou que o layout do print enviado por Mourão não corresponde aos sistemas de busca oficiais da instituição.
Ainda assim, os investigadores não descartam que a pesquisa de fato foi feita na base de dados da entidade internacional.
“É provável que a consulta tenha sido realizada por meio de sistema nacional integrado a base de dados offline construída a partir do download das informações sobre Notices publicadas pela Interpol (procedimento adotado, por exemplo, pelos EUA)”, afirmam os investigadores no relatório da PF.
“Neste caso, a identificação do usuário responsável somente seria possível por parte do país que mantém referido sistema, podendo-se inferir, de qualquer forma, que não se trata de usuário brasileiro.”
Em outra ocasião, ainda em outubro de 2024, o grupo “A Turma” chegou a criar um documento forjado com timbre do MPF e referência a inquéritos da PF para simular uma notificação à Interpol no intuito de pressionar e intimidar um desafeto do então dono do Master residente em Miami, descrito como um “DJ que teria mexido com o filho de Daniel Vorcaro”.
De acordo com os investigadores, ele recebia uma remuneração fixa de R$ 1 milhão por mês, além de eventuais bônus. Desse valor, uma parcela de R$ 400 mil era rateada entre seis integrantes do grupo “A Turma”. A investigação estima que os pagamentos efetuados a ele ultrapassaram a cifra de R$ 24 milhões.

















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