Pesquisadores da Universidade de Bristol e do Smithsonian Tropical Research Institute identificaram borboletas do gênero Heliconius, nas florestas tropicais das Américas, que vivem até 348 dias. O estudo, divulgado neste domingo (13), revela que esses insetos desafiam as leis biológicas ao manterem capacidades físicas intactas por quase um ano, abrindo caminhos para entender a longevidade.

Como essas borboletas conseguem viver tanto tempo?

Enquanto a maioria das borboletas vive apenas algumas semanas, as do gênero Heliconius podem chegar a quase um ano de vida. Um fator fundamental é a alimentação: diferente de outras espécies que só bebem néctar, elas consomem pólen. O pólen é rico em proteínas e nutrientes que ajudam a manter o corpo e os músculos saudáveis. No entanto, o estudo mostrou que a dieta não é o único segredo, pois mesmo sem o pólen elas vivem mais que as parentes, indicando que evoluíram com mecanismos genéticos especiais de proteção contra o desgaste natural do tempo.

O que acontece com o corpo desses insetos ao longo dos meses?

O que mais impressionou os cientistas foi a chamada baixa senescência, que é o nome técnico para o envelhecimento biológico. Em testes de força de aderência, borboletas muito velhas conseguiram se segurar com a mesma eficiência das jovens. Isso significa que elas praticamente não sofrem a perda de desempenho físico ou a deterioração muscular esperada. Enquanto espécies próximas perdem agilidade e força conforme os dias passam, a Heliconius hecale mantém sua integridade física quase intacta até o fim da vida, mostrando um envelhecimento muito mais lento.

Qual é a importância desse estudo para os seres humanos?

Embora a pesquisa tenha focado em insetos, o objetivo final é entender os processos biológicos que retardam a senescência. Ao comparar espécies muito parecidas que envelhecem em ritmos diferentes, os cientistas conseguem isolar quais genes ou processos metabólicos são responsáveis por manter o organismo jovem por mais tempo. No futuro, esse conhecimento pode ajudar a orientar novas frentes de investigação sobre o envelhecimento saudável em humanos, buscando formas de preservar nossas capacidades físicas e retardar o aparecimento de doenças ligadas à idade avançada.