Um conceito comum nas eleições dos Estados Unidos está sendo incorporado ao debate brasileiro: o de “estados-pêndulo”. No modelo norte-americano, o termo indica regiões em que os eleitores são decisivos ao alternar suas preferências partidárias. Já no Brasil, tem sido utilizado para apontar onde as disputas regionais têm peso para definir a eleição presidencial.

Há um mantra histórico de que “o candidato a presidente que ganhar em Minas Gerais ganha a eleição presidencial”. Mas isso pode não ser tão determinante neste ano, avalia o diretor-executivo do instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo.

Para ele, além do imponderável que permeia a eleição, a disputa presidencial poderá ser definida por outros quatro estados: Bahia, Ceará, Pernambuco e, inevitavelmente, São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. “Se o Lula perder em três estados do Nordeste (Bahia, Ceará e Pernambuco) mais em São Paulo, vai ficar muito difícil para ele”, diz Hidalgo. “Ao mesmo tempo, se ele ganhar nestes quatro, será muito difícil para o Flávio.”

O raciocínio parte de duas constatações. A primeira é a redução da vantagem de Lula nos estados do Nordeste em relação à eleição de 2022. O caso mais emblemático é a Bahia, onde Lula teve 72,12% dos votos válidos em 2022, contra 27,88% de Jair Bolsonaro, uma diferença de 44,24 pontos percentuais.