A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15), que decidirá sobre a abertura inédita de investigação contra um de seus integrantes, o ministro Alexandre de Moraes, criou um raro paradoxo político: qualquer um de seus eventuais desfechos favorecerá a direita nas urnas.

Em meio à pressão popular por transparência e responsabilização, ministros do STF aliados de Moraes buscam freneticamente uma saída interna para a crise por meio de nulidades e tumultos processuais, medidas protelatórias e da tentativa de estabelecer uma falsa equivalência entre o suspeito e o seu colega denunciante, André Mendonça.

Nesse quadro, analistas veem dois desfechos possíveis para a crise, ambos potencialmente negativos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a esquerda. A razão é a associação política construída entre o governo, o STF e Moraes, que permite à direita explorar eleitoralmente tanto uma eventual blindagem quanto uma punição do ministro.

A eleição de senadores comprometidos com impeachment de ministros do STF, uma clara bandeira da direita, tende, por exemplo, a ganhar especial impulso com esse tenso noticiário. A indignação do eleitor é estratégica.