As tentativas de restringir elementos que tragam à memória do eleitor a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na campanha eleitoral de 2026 evocam uma das punições empregadas na Roma antiga contra figuras políticas caídas em desgraça, a chamada damnatio memoriae – condenação da memória –, que envolvia a destruição de suas imagens e a eliminação de seus nomes dos registros públicos.

Na semana passada, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) deixasse de utilizar fotografias de Bolsonaro em santinhos e banners de sua campanha à reeleição. Para a magistrada, as imagens poderiam transmitir apoio eleitoral do ex-presidente e, assim, contornar a proibição do STF à divulgação de manifestos político-eleitorais de Bolsonaro. A liminar restabeleceu uma proibição anteriormente derrubada pelo TRE-SP.

O veto, no entanto, acabou derrubado na quinta-feira (24) pelo plenário do TSE, que liberou o uso da imagem de Bolsonaro na propaganda de outros candidatos. A maioria acompanhou a divergência aberta pelo presidente da Corte, Nunes Marques, contra a interpretação de que a simples presença da fotografia em materiais eleitorais configuraria uma manifestação política do próprio ex-presidente. Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques defenderam a manutenção da proibição.

Em julho, o ministro Alexandre de Moraes já havia proibido o ex-presidente de usar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros, de divulgar manifestos eleitorais e de receber visitas com finalidade política. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi impedido de visitar o próprio pai por 90 dias após a publicação de uma carta de apoio dele à sua candidatura presidencial. Na Justiça Eleitoral, além do veto aos santinhos e banners de Lucas Bove, uma propaganda de Michelle Bolsonaro (PL-DF) com imagens do marido chegou a ser retirada do ar, mas depois a proibição foi revogada.