O ministro Luiz Fux suspendeu, nesta segunda-feira (28), uma decisão individual de Flávio Dino que permitia postagens ofensivas contra o senador Flávio Bolsonaro sobre a Padroeira do Brasil. O caso reaquece a crise interna no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior Eleitoral, expondo divergências graves sobre liberdade de expressão, desinformação e as competências de cada Corte.

Qual foi o motivo central do novo conflito entre os ministros do Supremo?

A crise começou quando o ministro Flávio Dino, de forma individual, derrubou uma ordem anterior do ministro André Mendonça. Mendonça havia determinado a retirada de postagens que associavam Flávio Bolsonaro a ataques contra Nossa Senhora Aparecida. Dino entendeu que proibir as críticas violaria a liberdade de expressão e religiosa. No entanto, o ministro Luiz Fux interveio e anulou a decisão de Dino, restabelecendo a censura aos conteúdos. Esse ‘vai e vem’ jurídico gerou forte desconforto, pois Dino tomou a decisão sozinho, sem esperar que o plenário do tribunal analisasse o caso.

Por que a atuação individual de Flávio Dino incomodou outros magistrados?

Além de Luiz Fux, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, manifestou forte insatisfação. O incômodo reside no fato de Dino ter usado uma ação antiga para interferir em decisões da Justiça Eleitoral, o que foi visto como uma invasão de competência. Nunes Marques alertou para o risco de ‘captura institucional’, argumentando que decisões individuais externas desestruturam a Justiça Eleitoral durante o período de campanha. A crítica principal é que esse tipo de conduta estimula a insegurança jurídica, permitindo que as partes busquem ministros específicos para tentar reverter derrotas.

O que Luiz Fux argumentou ao suspender a liberação das postagens?

Ao barrar a ordem de Dino, Fux foi enfático ao criticar o uso do combate à desinformação para justificar atos autoritários. Ele questionou se o STF deveria permitir a circulação de notícias comprovadamente falsas e lembrou que medidas extremas já foram tomadas em inquéritos como o das ‘fake news’ sob o mesmo pretexto. Fux também apontou uma falha técnica grave: o desrespeito ao princípio do ‘juiz natural’. Para ele, Dino não poderia ter decidido o caso sozinho, pois a ação deveria ter sido distribuída por sorteio entre todos os ministros, e não direcionada a um gabinete específico.