
O mercado reage com pessimismo em relação à política fiscal após a vitória do presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições de 2026. Na sexta-feira (23), o dólar fechou cotado a R$ 4,99. No dia seguinte ao primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, a moeda havia caído 4,12%, para R$ 5,00. Na manhã desta segunda-feira (26), disparou 8,65% e é cotado a R$ 5,42.
A pressão também aparece na Bolsa. O Ibovespa futuro chegou a recuar quase 15% nesta manhã, antecipando uma abertura de forte queda no mercado de ações brasileiro.
O EWZ, principal termômetro externo das ações brasileiras, chegou a despencar 26% no pré-mercado após a vitória do petista. O indicador chegou a subir 12,5% após a liderança de Flávio no primeiro turno.
As ações de empresas brasileiras no exterior também sofrem. As ADRs do Itaú, negociadas na bolsa americana, operam em queda de 26,47%, cotadas a US$ 7,11 no pré-mercado. Já as da Petrobras despancam 20,53%, cotadas a R$ 20,79.
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Temor por circuit breaker retorna
O circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento anterior, interrompendo os negócios por 30 minutos. Se, após a retomada, a perda alcançar 15%, a Bolsa para novamente por uma hora. Aos 20%, a B3 determina uma nova suspensão e define o período da paralisação.
Já houve uma sinalização nos contratos que apostam no que será o mercado aberto. O Ibovespa futuro atingiu o limite de queda de 15% nesta manhã e teve as negociações interrompidas temporariamente. Diante da forte volatilidade, a B3 ampliou o limite de queda dos contratos futuros para 20%.
O último circuit breaker na bolsa brasileira ocorreu durante a pandemia, mas não foi exclusividade do nosso mercado. Mercados de países como Estados Unidos, Canadá, Itália e Reino Unido também acionaram o mecanismo.
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Análises
Analistas vêem uma reversão das apostas de que o próximo governo traria um perfil de controle fiscal. Com isso, projetam uma manutenção dos juros altos por mais tempo caso Lula não sinalize que pode mudar de postura no próximo mandato.
A explicação vem da aposta no risco em investir no país. Os analistas apontam que a maior incerteza fiscal
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a reação representa uma reversão do chamado “trade eleitoral” formado depois do primeiro turno. Na ocasião, a liderança de Flávio Bolsonaro alimentou entre investidores a expectativa de uma política econômica mais favorável ao mercado e de maior compromisso com o equilíbrio fiscal.
“Com isso, aquele trade eleitoral perde força. Estamos vendo uma queda expressiva das ações brasileiras e uma alta considerável do dólar”, afirmou.
Segundo Alves, a reação pode alcançar também a curva de juros, enquanto investidores passam a observar principalmente a condução das contas públicas no próximo governo. “A situação fiscal é central para a percepção de risco de um país e para a trajetória de sua moeda”, disse.
Para Roberta Folgueral, diretora comercial de câmbio e operações da B&T XP, voltar a falar em circuit breaker já é um sinal do quanto o mercado passou a ver riscos no futuro da economia brasileira.
“O mercado está olhando para a capacidade do governo de conter os gastos públicos, fazer a economia crescer e mostrar como pretende financiar as medidas anunciadas. Tudo isso cria um cenário de incerteza e o investidor estrangeiro começa a retirar dinheiro do Brasil”, aponta.

















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