
A Polícia Federal (PF) prendeu preventivamente nesta quinta-feira (29) o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, durante a Operação Tomada de Contas.
A investigação apura suspeitas de desvios de recursos públicos, irregularidades em contratos administrativos e pagamentos a servidores da corte.
A operação cumpre seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Mais de 180 policiais federais participam da ação, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também determinou o afastamento de sigilos e o sequestro de bens. A PF confirmou as medidas em comunicado oficial.
Uma das principais linhas de investigação envolve uma suposta “folha paralela”, por meio da qual o tribunal teria realizado pagamentos a conselheiros e servidores como se os recursos fossem destinados a fornecedores.
Segundo a investigação, o esquema também envolveria a suspensão de contratos administrativos e o favorecimento de determinadas empresas na liberação de verbas.
Em menos de dez meses de 2025, o TCE-MT depositou R$ 15,4 milhões nas contas de Sérgio Ricardo, segundo a apuração.
O valor corresponde a cerca de 53 vezes os R$ 288 mil de remuneração oficial do presidente do tribunal no período.
Os investigadores também identificaram saques de R$ 15,6 milhões em dinheiro vivo.
A maior parte das retiradas teria ocorrido por meio da secretária-executiva do tribunal, Roseli Loss, em uma agência do Sicoob instalada nas dependências do próprio TCE-MT.
A investigação apura se os depósitos e saques integram uma estrutura destinada a retirar recursos públicos dos cofres da instituição.
Como funcionava o esquema
Segundo a Polícia Federal, os investigadores apuram indícios de que a suspensão de contratos administrativos teria servido como mecanismo de pressão sobre fornecedores.
A apuração também examina diferenças nos pagamentos realizados a empresas, movimentações financeiras atípicas envolvendo servidores e saques recorrentes em espécie.
Os investigadores suspeitam de movimentações de cerca de R$ 75 milhões em contratos que teriam sido superfaturados.
A apuração também menciona a suspeita de que sete conselheiros possam ter recebido R$ 48,4 milhões em propina.
A decisão que autorizou a prisão preventiva considerou a dimensão das movimentações financeiras atribuídas a Sérgio Ricardo e o risco de ocultação de patrimônio.
Além do presidente do tribunal, a operação alcança servidores e pessoas ligadas à estrutura administrativa da corte.
O STJ também determinou o afastamento de conselheiros, entre eles Guilherme Maluf e Alisson Alencar, além do conselheiro aposentado Valter Albano.
A PF investiga se os fatos podem configurar crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O que diz a defesa
O advogado Fernando Márcio Vareiro, que representa Sérgio Ricardo, afirmou que ainda não conhece os fundamentos que levaram à prisão do cliente. Como o processo corre sob sigilo, a defesa não teve acesso ao inquérito.
“Nós não temos informação porque é um processo sigiloso, não tem acesso ao inquérito ainda, então a orientação é que ele fique em silêncio, até que nós tenhamos conhecimento do que está acontecendo”, declarou o advogado à imprensa.
O advogado também representa Roseli Loss e Adriangelo Barros Antunes, outros dois investigados presos na operação.

















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