O primeiro pedido de indiciamento da Polícia Federal no caso Master não incluiu políticos nem autoridades dos três Poderes suspeitos de dar suporte às operações fraudulentas envolvendo o banco e o BRB. Embora a investigação ainda tenha outras frentes, com novos relatórios previstos para novembro, os próximos pedidos também devem poupar, por exemplo, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que tiveram seus nomes associados, direta ou indiretamente, ao ex-banqueiro e controlador do Master, Daniel Vorcaro.

Ministros não podem ser indiciados pela PF em razão das prerrogativas do cargo e do entendimento institucional sobre a atuação da PF em relação aos integrantes da Corte. As atuações dos magistrados nem sequer foram investigadas e as apurações precisariam do aval do próprio STF para ter andamento.

Nesse primeiro relatório, quase um ano após a primeira fase da Operação Compliance Zero, a PF pediu o indiciamento de Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o ex-sócio do Master Augusto Lima e de outras 12 pessoas. Esse relatório, apresentado ao STF na quarta-feira (28), está concentrado nas vendas de carteiras de crédito do Master ao BRB – o ponto de partida da investigação, que ainda está longe de ser concluída.

A PF descreve Vorcaro como líder da organização criminosa, atribuindo a ele os crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento a erro, fraude em fiscalização e lavagem de dinheiro. A defesa do ex-banqueiro nega as acusações. Já Costa é apontado como principal agente de articulação institucional no BRB. A defesa do ex-presidente do BRB também refuta as imputações.