O governo federal brasileiro avalia que o incômodo do presidente americano, Donald Trump, em relação ao Pix vai muito além da defesa das empresas de meios de pagamento americanas.
Segundo apuração da âncora da CNN Débora Bergamasco, fontes do governo brasileiro acreditam que a maior preocupação da Casa Branca está relacionada ao potencial do Pix como facilitador de transações comerciais internacionais sem a necessidade do dólar.
A avaliação é de que Trump teme que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro possa ser utilizado para “excluir” o dólar em negociações entre países parceiros.
Atualmente, transações entre nações como Brasil e Argentina, por exemplo, passam obrigatoriamente pela conversão para a moeda americana antes de serem convertidas para a moeda local do país de destino.
Pix como alternativa ao SWIFT
Há ainda um segundo temor identificado pelo governo brasileiro: o de que o Pix possa se tornar uma alternativa ao sistema SWIFT, utilizado globalmente para transferências financeiras internacionais.
O SWIFT é controlado pelos Estados Unidos, o que confere ao país um poderoso instrumento de pressão geopolítica — como ocorreu com a exclusão da Rússia do sistema como forma de sanção.
Caso o Pix se consolide como alternativa, os EUA perderiam esse poder de controle sobre o sistema de pagamentos mundial.
A característica de instantaneidade do Pix é apontada como um dos fatores que tornam o sistema especialmente atraente para esse tipo de uso.
Ao contrário das transações tradicionais, que envolvem etapas e atrasos, o Pix permitiria transferências imediatas entre países, tornando-o mais eficiente e confiável para transações comerciais internacionais.
Reunião entre Brasil e EUA e ameaça de tarifas
Integrantes do governo federal esperam se reunir nesta semana, de forma virtual, com representantes dos Estados Unidos para tratar das novas ameaças de tarifas.
Do lado brasileiro, espera-se a participação do ministro Marcio Elias, do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), e do ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores.
Já do lado americano, a expectativa é de que participe Jamieson Greer, representante do Departamento de Comércio norte-americano.
O foco da reunião será a tarifa de 25% proposta pelo USTR com base na Seção 301, apresentada após investigações que apontaram o Brasil como praticante de comércio desleal, mencionando o Pix como suposta ameaça às empresas norte-americanas.
O governo brasileiro considera que, por ser uma medida direcionada exclusivamente ao Brasil, há margem para uma negociação bilateral e um possível acordo.
Já a tarifa de 12,5%, que atinge também a União Europeia e mais de 50 outros países — proposta após alegações de que essas nações não estariam combatendo adequadamente o trabalho forçado e o trabalho infantil —, é vista com menor otimismo pelo lado brasileiro em termos de negociação direta.
A depender do resultado da reunião desta semana, o governo avalia a possibilidade de um encontro informal entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump durante a cúpula do G7, na França.

















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