A inteligência artificial realmente pode tornar os estudantes intelectualmente preguiçosos? Essa é uma das principais preocupações levantadas por educadores e pais com o recente avanço da tecnologia no cotidiano dos jovens.
Em conversa com a apresentadora Mari Palma, da CNN Brasil, Lila Ibrahim, do escritório de alfabetização em Inteligência Artificial do Google DeepMind, respondeu às dúvidas e defendeu que o uso consciente da IA dentro das salas de aula é fundamental para evitar esse risco.
“É grande parte da razão pela qual eu acho que aprender a usar a IA na escola é importante. Muitas pessoas pensam que, ‘se não é para usar, eu quero usar’. Uma mudança de cultura, priorizando o debate sobre o uso apropriado da ferramenta, é essencial para prevenir esses efeitos negativos”, afirmou.
Aprendizado guiado como alternativa
Uma das soluções apontadas por Ibrahim é o chamado “aprendizado guiado”, uma abordagem em que as tecnologias não simplesmente fornecem respostas prontas, mas conduzem o estudante por etapas do raciocínio.
“Não dar a resposta, não ser apenas um sabe-tudo, mas realmente aprender sobre algo e ser capaz de avançar em etapas é muito importante. Essa funcionalidade foi desenvolvida em diversas plataformas justamente para estimular a curiosidade e o pensamento crítico dos jovens”, explicou.
A especialista também destacou o papel dos professores e dos pais nesse processo. Ela sugeriu que a IA pode ser utilizada como referência em determinadas aulas ou como ponto de partida para discussões, incentivando os alunos a compartilharem as perguntas que fizeram à tecnologia e a analisarem em conjunto as respostas adquiridas.
“Se nós podemos manter um humano no comando da tecnologia, é função nossa, como adultos, pensar em como nós queremos ensinar e instruir a forma que isso pode ser feito com os menores”, afirmou. Ela ainda reconheceu que os jovens costumam não possuir modelos consolidados de comportamento digital, o que aumenta a responsabilidade dos responsáveis nesses cenários.

















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