A abertura de capital da SpaceX foi a maior da história. E trouxe euforia para um mercado que ainda espera o IPO de OpenAI e Anthropic, que deve repetir valuations trilionários. Apesar do otimismo, Rodrigo Baer, sócio da 14Bis Capital, não acredita que os preços praticados justificam o investimento.
Otimismo com ressalvas
Durante bate-papo no programa “Café com Investidor“, Baer se disse otimista quanto ao valor que essas empresas são capazes de criar, mas demonstrou ceticismo em relação ao retorno sobre o investimento nos patamares de avaliação atualmente discutidos. “Eu estou otimista no valor que essas empresas vão criar. Eu tenho dúvidas quanto ao retorno no investimento nos preços que estão sendo praticados”, afirmou.
Ao fazer uma estimativa preliminar, o analista apontou que, para justificar valuations de US$ 1 trilhão a US$ 1,5 trilhão para empresas como OpenAI e Anthropic, seria necessário projetar que essas companhias chegariam a valer até US$ 10 trilhões no futuro. Segundo ele, atingir esse patamar exigiria a substituição de uma quantidade expressiva de trabalho qualificado, o chamado trabalho de colarinho branco, o que ele considera politicamente inviável.
Retorno inadequado ao risco
“Para bater 5 ou 10 trilhões, elas têm que substituir uma quantidade enorme de trabalho de colarinho branco, o trabalho sofisticado, que eu não acho que politicamente é viável”, explicou. Para Baer, a tese de investir 1 trilhão esperando multiplicar esse valor por três a cinco vezes apresenta um cenário de retorno inadequado ao risco assumido.
Apesar das reservas quanto aos fundamentos, o analista avalia que as ações devem ser negociadas para cima após os IPOs. O motivo, segundo ele, é o elevado nível de entusiasmo em torno dessas empresas: “Tem tanto buzz, tem tanto excitement, tem tantos fãs dessas empresas, que eu acho que o pessoal não vai necessariamente fazer a conta de retorno nesse capital.” Ou seja, a euforia do mercado pode sobrepor a análise racional dos números.
IA reacende risco de plataformas “comerem o lanche” de startups
Rodrigo Baer, ainda afirma que ascensão da inteligência artificial trouxe consigo uma preocupação renovada no ecossistema de investimentos em tecnologia: o risco de que as grandes plataformas de IA passem a competir diretamente com as startups que constroem seus negócios sobre elas. A discussão, que já existia no universo de empresas desenvolvidas sobre Google ou Meta, ganhou novos contornos com o avanço acelerado dos modelos de linguagem.
O risco da plataforma
A questão central é o que acontece quando a própria plataforma decide entrar no mesmo mercado que uma startup está atendendo. “O que acontece se a sua plataforma quiser comer parte do seu lanche?”, questionou o entrevistado, lembrando que empresas como Google e Meta já foram historicamente conhecidas por se apropriar dos negócios desenvolvidos por terceiros em seus ecossistemas.
Um exemplo concreto foi citado: o lançamento do Claude para advogados, pela Anthropic. Para startups que construíram soluções jurídicas com base em modelos de IA, a entrada direta da empresa desenvolvedora do modelo no mesmo segmento representa uma ameaça significativa. “Você montou uma empresa para atender advogados ali. Você não tinha um molde muito grande, uma defensibilidade muito grande. A sua vida se tornou materialmente mais difícil”, afirmou.
Diferenciação como saída
Diante desse cenário, a análise aponta que as empresas precisam oferecer produtos que sejam substancialmente superiores aos das plataformas, apoiando-se em dados proprietários ou em conhecimento profundo de fluxos de trabalho específicos que uma Anthropic ou OpenAI não conseguiria replicar com facilidade. Sem esses diferenciais, o risco de ser engolido pela concorrência da própria plataforma torna-se cada vez mais real.
A velocidade com que os produtos de IA evoluem agrava ainda mais a situação. “Na velocidade que os produtos estão andando, é realmente preocupante”, concluiu Baer, sinalizando que esse risco se tornou um dos fatores mais relevantes na avaliação de novos investimentos no setor de tecnologia.
Café com Investidor
O programa Café com Investidor é uma produção do NeoFeed com a CNN Brasil e é apresentado por Ralphe Manzoni Jr. Acompanhe os episódios inéditos, quinzenalmente, às 19h45, no CNN Money.

















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