O sigilo que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça levantou nas investigações da Polícia Federal (PF), que investiga o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mostra que sua personalidade carinhosa não era um privilégio reservado só a suas namoradas. Vorcaro tratava seus contatos no poder com ternura máxima, deixando claro um afeto que parece transcender a relação de mero interesse corporativo.

Mas o cuidado não se limitava à escolha de palavras nas mensagens instantâneas. Vorcaro também tinha atenção máxima com a regularidade de pagamentos ao escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, com quem firmou um contrato de R$ 130 milhões, além de oferecer vantagens econômicas aos filhos do ministro, como a disponibilização de cartões de crédito com saldo praticamente sem limites de gasto. O ex-ministro Fábio Farias também aparece nas trocas, geralmente cobrando acertos.

A Gazeta do Povo vem tentando ouvir todas as partes envolvidas nas investigações ao longo do dia desde que saíram as primeiras notícias, mas apenas o escritório Barci de Moraes e Fábio Faria enviaram notas.

A do escritório é específica sobre o fato de Moraes ter revisado o contrato do escritório com o Master. Segundo a empresa, o ministro foi consultado na “qualidade de marido” de Viviane Barci de Moraes. Também comentou a emissão de cartões, dizendo que “nunca foram usados” por ninguém do escritório.