A discussão sobre o uso medicinal de derivados da cannabis voltou ao centro do debate político no Congresso após a investigação da Polícia Federal sobre uma negociação envolvendo a venda de canabidiol ao governo federal e pessoas próximas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O episódio levantou questionamentos sobre uma possível tentativa de ampliar o acesso ao produto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), embora o Ministério da Saúde tenha afirmado que não houve possibilidade de contratação, já que o produto não está incorporado ao sistema.

Ex-ministro da Saúde e integrante da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e da Família, o deputado Osmar Terra (PL-RS) é um dos críticos da ampliação do uso de derivados da cannabis. Em entrevista à Gazeta do Povo, ele afirma que há um movimento político e empresarial para ampliar o mercado da cannabis sob o argumento medicinal e defendeu que decisões sobre o tema sejam tomadas pelo Congresso, e não por decisões judiciais ou órgãos administrativos.

Terra também defendeu uma investigação sobre as intermediações envolvendo pessoas próximas ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e cobrou do Legislativo a conclusão da proposta que trata da descriminalização da maconha.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, nega qualquer irregularidade e sustenta que ele não participou de negociações para a venda de canabidiol ao governo federal. Segundo os advogados, não houve atuação de Lulinha para viabilizar a compra do produto pelo Ministério da Saúde. A defesa também contesta a tentativa de vinculá-lo às tratativas investigadas pela Polícia Federal e afirma que eventuais contatos mantidos por pessoas de seu círculo não significam participação ou influência do filho do presidente nas decisões do governo.