O termo desobediência civil emergiu no debate público nos últimos dias como alerta para o agravamento da crise institucional envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O temor é de que a perda de confiança na neutralidade da Corte chegue a minar a autoridade das suas decisões.

Não há nenhum movimento organizado de desobediência civil no país. O sinal de perigo está na disseminação da ideia de que a legitimidade das ordens judiciais depende de como surgiram. O desgaste deixa de atingir só a imagem dos juízes e atinge a capacidade de fazer cumprir determinações.

O escândalo do Banco Master acelerou esse processo. As 52 mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, apontam conflitos de interesse e abriram uma guerra sem precedentes dentro da cúpula do Judiciário brasileiro, sem desfecho claro no horizonte.

A resposta institucional continua em aberto. O presidente do STF, Edson Fachin, prometeu medidas “cabíveis e necessárias”, mas “sem precipitação”. Enquanto se busca tempo para reagir, a crise corre em velocidade política, destroçando reputações e levando a autocontenção da Corte à descrença.