O brasileiro gosta muito da liberdade de expressão. Quer dizer, desde que ninguém abuse dela, claro. Desde que não diga aquilo que incomoda. Desde que a opinião seja a mesma que a dele. Que o autor esteja do lado certo. E, principalmente, desde que o alvo da fala seja alguém de quem não gostamos.

Esse gosto por liberdade limitada é revelado pela pesquisa do Instituto Sivis, Entre Direitos e Limites: Percepção dos brasileiros sobre liberdade de expressão e democracia. O levantamento expõe uma contradição difícil de engolir. Em geral, os brasileiros dizem valorizar a liberdade de expressão, mas (e este “mas” importa muito) aceitam de bom grado que ela seja restringida quando protege uma opinião considerada ofensiva, falsa ou politicamente indesejável.

Segundo a pesquisa, 77,2% dos entrevistados consideram importante ou muito importante que as pessoas possam dizer o que querem sem censura – um número expressivo, mas que deveria ser bem maior. Mas o real problema é quando a liberdade precisa ser aplicada a alguém de quem discordamos. 54,7% dos entrevistados foram classificados como “ambivalentes” nesse sentido: ao mesmo tempo em que valorizam a liberdade, aceitam restringi-la sem nenhum problema – ou seja, não veem problema algum em censurar.

Tendemos a ver a liberdade de expressão não como um princípio, mas como algo que depende do gosto de quem fala e, sobretudo, de quem ouve