Com o baixo crescimento da economia, chama atenção ver tantas faixas nas portas de fábricas e supermercados anunciando “Estamos contratando”. A busca por mão de obra, o oferecimento de vagas de emprego, é um fenômeno positivo, mas de explicação pouco precisa e que pode ser visto sob duas óticas: a estatística e a estrutural, que, juntas, explicam melhor.

Um argumento forte sobre a possível falta de mão de obra é que não há mais ociosidade no mercado de trabalho, já que, segundo o IBGE, a taxa de desemprego é de apenas 5,3% – índice que faria inveja à Finlândia (10,2%), à França (7,8%) e à Espanha (9,8%), abaixo da média da OCDE (4,8%) e da Zona do Euro (6,3%), e próximo ao dos EUA (4,3%).

No entanto, esse número mede realidades distintas. No Brasil, os 5,3% de desemprego convivem com 37% de informalidade e 13% da força de trabalho em “subutilização”, termo técnico ameno para trabalho precário, de “bicos”. Nas economias citadas, subutilização é marginal e o desemprego residual é natural do mercado.

Entretanto, a diferença não está nos critérios de apuração. A metodologia da OIT, adotada pelo IBGE, segue uma separação binária entre “empregado” e “desempregado”.