Na reta final do primeiro turno, a mentira de que o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretendia retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil recolocou a religião no centro da disputa eleitoral. A exploração política do caso pelo PT escancara como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria sob pressão, segundo pessoas próximas à campanha petista ouvidas pela reportagem da Gazeta do Povo.

Mesmo depois de a informação vinculada a Flávio ter sido desmentida, Lula afirmou, no programa Canal Livre, que não sabia se, de fato, se tratava de fake news. Em seguida, defendeu que Nossa Senhora continuaria como Padroeira do Brasil porque “o povo brasileiro quer e tem fé”. 

O movimento é visto como uma tentativa de manter a vantagem do petista junto ao eleitorado católico. “O Lula estava perdendo o voto entre os católicos e ele criou essa jogada na tentativa de estancar a sangria”, afirma o cientista político Paulo Moura. 

Levantamento Atlas/Bloomberg, divulgado na quarta-feira (23), mostrou que a maioria dos católicos, 51,7%, passou a relacionar Lula diretamente à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto 18,8% a vinculam a Flávio. O tema provocou um dos maiores desgastes para a campanha petista até o momento. Entre os eleitores católicos, a desaprovação do presidente chegou a 51%.