A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) não são obrigadas a instaurar automaticamente um inquérito a cada denúncia recebida, mas precisam avaliar informações concretas sobre possíveis crimes. A explicação é de analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, tendo como exemplo a suspeita de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria repassado R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

A denúncia foi publicada pela revista Veja, com base em um áudio atribuído a Vorcaro. Segundo a reportagem, o ex-banqueiro teria afirmado que o financiamento ocorreu de maneira irregular, com pagamentos em espécie e sem registro formal, no contexto de tentativas de obter acesso a estruturas do governo federal.   

A PF e a PGR informaram que o áudio divulgado pela revista não constava dos autos das tratativas de colaboração premiada do ex-banqueiro. A Polícia Federal também afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na publicação e que as propostas de delação apresentadas pela defesa foram rejeitadas por não atenderem aos requisitos legais.  

Em nota divulgada em 9 de outubro, a PF informou ainda ter recebido uma notícia-crime relacionada à publicação e encaminhado o expediente à área técnica para as providências de polícia judiciária.