A carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após chegar aos Estados Unidos contém a base argumentativa para um pedido de asilo político ao governo americano. No texto, ele acusa o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de acionar a “máquina de perseguição política do regime” logo após seu questionamento sobre o resultado da eleição presidencial, no domingo (25).

Após a eleição, Flávio afirmou que contestaria a vitória de Lula por causa da prorrogação do horário de votação determinado pelo ministro Cristiano Zanin, do STF. Insinuou uma fraude no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre de contagem dos votos entre 17h e 19h, período da extensão e no qual a totalização foi paralisada.

Na carta, Flávio narra que sete minutos após a proclamação do resultado pelo TSE a Polícia Federal pediu o cancelamento de seus passaportes para impedi-lo de deixar o Brasil. A medida se deu no âmbito de uma investigação sigilosa sobre lavagem de dinheiro no STF e foi acolhida pelo ministro Alexandre de Moraes no próprio domingo.

“Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista”, escreveu na carta.