A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de devolver ao ministro André Mendonça a relatoria sobre fraudes nos descontos do INSS, mas manter sob sua responsabilidade procedimentos relacionados ao Master, é interpretada por juristas como uma escolha de aspecto político e institucional.

Para o constitucionalista André Marsiglia, a retenção do Master pode evitar que Mendonça reassuma investigações com potencial de alcançar integrantes da Corte, enquanto a devolução do inquérito previdenciário não representaria, neste momento, risco institucional.

O constitucionalista Alessandro Chiarottino diz que falta justificativa jurídica à manutenção do conjunto de procedimentos na Presidência, em vez de uma separação dos fatos que permitisse preservar a atuação do relator original. As avaliações convergem na crítica à diferença de tratamento, embora Fachin não deixe claro ter agido com intenção de proteger colegas.

Em 29 de outubro, Fachin determinou que a Operação Sem Desconto, que apura fraudes nos descontos de aposentadorias e pensões, voltasse a Mendonça. Os procedimentos da Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades no Master, permaneceram sob sua responsabilidade por até 90 dias, contados de 12 de setembro.