Um acordo político entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os comandos da Câmara e do Senado destravou a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, que volta a avançar no Congresso. A proposta, de forte apelo eleitoral, interessa ao governo por reforçar sua agenda trabalhista antes da eleição e também aos presidentes das duas Casas, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), que podem capitalizar politicamente o apoio a uma demanda popular entre parte dos trabalhadores.

A retomada da tramitação ocorre depois de um período de distanciamento entre Lula e Alcolumbre, que se agravou com a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). As conversas entre o Planalto e o comando do Legislativo foram retomadas nas últimas semanas e incluíram encontros reservados, entre eles uma reunião na residência do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Para a cientista política do Ibmec-SP Deisy Cioccari, a cronologia dos acontecimentos torna difícil separar o avanço da proposta das negociações de bastidor. “Não dá para separar o avanço institucional da relação de bastidor, nem da relação entre Planalto e Senado”, afirmou.

Deisy Cioccari ressalta também que a PEC da escala 6×1 é eleitoralmente vantajosa para os diferentes lados envolvidos na negociação e permite ao governo retomar a agenda trabalhista antes do pleito de outubro.