O agronegócio brasileiro carrega a reputação de potência produtiva: recordes de safra, avanço tecnológico no campo e uma participação que, somando toda a cadeia produtiva, da indústria de insumos à distribuição, chega a responder por cerca de 30% do PIB nacional, segundo estimativas do Cepea/USP em parceria com a CNA. Mas há um fator que raramente recebe o mesmo destaque da produtividade, embora seja igualmente decisivo para o futuro do setor: a segurança jurídica.

Em 2026, essa discussão ganhou peso concreto. A pesquisa “Top 10 riscos e oportunidades no agro em 2026”, divulgada pela EY em julho deste ano, colocou ética, compliance e controles internos entre as dez principais prioridades estratégicas do setor.

Ao mesmo tempo, o país segue dependente de insumos importados: segundo o Plano Nacional de Fertilizantes do Ministério da Agricultura e Pecuária, mais de 80% dos fertilizantes usados nas lavouras brasileiras vêm do exterior, em um cenário de oscilações geopolíticas e logísticas que tornam a previsibilidade contratual uma questão de sobrevivência para toda a cadeia produtiva, não apenas um detalhe jurídico.

Durante décadas, o produtor rural brasileiro construiu competitividade em torno de um único eixo: produzir mais, com mais eficiência e a um custo menor. Esse eixo continua essencial, mas deixou de ser suficiente. Especialistas em direito do agronegócio já apontam que, a partir de 2026, o cumprimento de requisitos socioambientais deixa de ser diferencial competitivo e passa a ser condição básica para o acesso a mercados, crédito e parcerias comerciais. Empresas que não estruturarem controles documentais, compliance ambiental e governança da cadeia produtiva tendem a perder competitividade, mesmo produzindo bem.