
O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) protocolou, na noite de quarta-feira (2), pedidos de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os documentos foram encaminhados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Renan aponta possível envolvimento dos ministros no escândalo do extinto Banco Master e cita “crime de responsabilidade” e “fatos de extrema gravidade”.
Segundo o candidato, a confirmação das suspeitas “podem indicar a existência de uma relação de favorecimento” entre Moraes, Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro.
Em entrevista ao Brado Jornal nesta quinta-feira (3), o candidato afirmou que pretende rejeitar decisões de Moraes, caso seja eleito. “Decisão ilegal não se cumpre. Decisões que saiam do Alexandre de Moraes não devem ser reconhecidas pelo Estado brasileiro”, afirmou.
Pedido contra Toffoli cita mensagens encontradas pela PF
Toffoli deixou a relatoria do caso no começo do ano. A decisão ocorreu após a Polícia Federal (PF) encontrar mensagens no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com menções a supostos pagamentos direcionados ao ministro.
A PF investiga se a transferência de recursos para Toffoli partiu da empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no Tayayá Resort. De acordo com a investigação, o ministro frequentava o empreendimento, que pertenceu aos irmãos dele.
Um fundo de investimento administrado por uma empresa citada no caso Master investiu R$ 4,3 milhões no resort. Atualmente, a família de Toffoli não integra mais o quadro de donos do empreendimento.
Renan cita relatório da Polícia Federal sobre Alexandre de Moraes
No pedido contra Moraes, Renan Santos cita o relatório da PF que atribuiu mensagens de Vorcaro ao ministro do STF.
O documento tornou-se público depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo na terça-feira (1º). Uma das conversas registra uma pergunta de Vorcaro sobre a necessidade de deixar o país dois dias antes de ser preso, em novembro do ano passado.
Segundo a investigação, as conversas permitem deduzir que Moraes municiava Vorcaro com informações sobre o andamento da Operação Compliance Zero. O conteúdo incluiria datas e horários de diligências planejadas pela PF.
O pedido de impeachment afirma que a conduta atribuída aos ministros seria incompatível com os deveres do cargo.
“Evidentemente, a função de ministro pressupõe honestidade e imparcialidade. No caso, fica claro que os ministros receberam vantagens ilícitas, provenientes de uma das figuras mais corruptas da história da República – Daniel Vorcaro. Certamente, Vorcaro não concedeu tais vantagens sem a expectativa de qualquer contrapartida”, diz trecho do documento.
Alcolumbre reage a mensagens de Vorcaro e cita pedido de R$ 130 milhões
Davi Alcolumbre já recebeu diversos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no Senado Federal. Até agora, porém, o presidente da Casa não deu encaminhamento a nenhum deles.
Na quarta-feira (2), Alcolumbre também comentou as mensagens de Daniel Vorcaro atribuídas a Moraes.
Ao tratar do assunto, o presidente do Senado mencionou o relacionamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-banqueiro. Ele afirmou que, agora, as críticas concentram-se no magistrado.
“Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou.

















Leave a Reply