
O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou nesta quinta-feira (3) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), transformou novamente o Inquérito 4.781, conhecido como “inquérito das fake news” ou “inquérito do fim do mundo”, em um instrumento de poder pessoal ao pedir ao presidente da Corte, Edson Fachin, autorização para investigar o ministro André Mendonça.
Em nota, Marinho classificou a iniciativa como uma “inversão intolerável de valores” e afirmou que Moraes deveria prestar esclarecimentos sobre os fatos que envolvem seu nome, em vez de usar poderes investigativos para constranger quem conduz apurações que o alcançam.
O senador também reforçou a convocação para as manifestações de 7 de Setembro, ao defender uma reação “pacífica e democraticamente” contra o que chamou de práticas de exceção e abuso de poder.
Segundo Marinho, o inquérito, aberto há sete anos e com limites que, em sua avaliação, ficaram cada vez mais amplos, passou a funcionar como uma espécie de proteção para Moraes.
“Nenhum ministro pode estar acima do escrutínio”, afirmou o senador, ao sustentar que o Supremo perde autoridade quando um ministro usa poderes excepcionais para reagir a quem o investiga.
Na nota, o líder da Oposição também associou o episódio às investigações que envolvem Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Marinho afirmou que Mendonça conduz apurações que alcançam fatos envolvendo o próprio ministro e classificou como “intimidação” o uso do Inquérito 4.781 contra o colega de Corte.
Moraes pede investigação contra Mendonça
Moraes pediu nesta quinta-feira a Fachin autorização para investigar Mendonça no Inquérito 4.781. O pedido cita supostas irregularidades atribuídas ao ministro no exercício da relatoria da Operação Sem Desconto e da Operação Compliance Zero.
Moraes afirma que Mendonça teria, em tese, praticado condutas que poderiam configurar improbidade administrativa e abuso de autoridade, além de apontar uma suposta quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos.
O plenário do STF terá de decidir sobre o pedido. A Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu comunicação oficial sobre o caso.
A iniciativa ocorre dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que revelou mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.
No mesmo dia, Moraes pediu ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que encaminhasse ao STF relatórios de inteligência que citassem ministros da Corte.
Segundo Moraes, documentos produzidos pela PF indicariam que Mendonça teria direcionado investigações contra ele e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por motivos pessoais e políticos.
O despacho também menciona supostas irregularidades na condução de diligências e nas tratativas de eventual colaboração premiada.
Parlamentares da oposição veem retaliação de Moraes
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que Moraes “jogou no lixo” o que, segundo ela, ainda restava de credibilidade no STF.
Damares classificou a decisão como arbitrária e autoritária e comparou o ministro a “um Nero brasileiro dos tempos modernos”. A senadora também defendeu manifestações nas ruas contra Moraes.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) adotou uma reação mais direta. Em publicação nas redes sociais, afirmou que Mendonça deveria dar voz de prisão a Moraes durante uma sessão do plenário do STF.
O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) também criticou a iniciativa. Ele chamou Moraes de “louco” e defendeu a participação nas manifestações de 7 de Setembro.
O deputado federal Gilson Marques (Novo-SC) questionou o fato de Alexandre de Moraes pedir a inclusão de outro ministro do STF, André Mendonça, no inquérito das fake news.
Ao comentar a notícia sobre a iniciativa de Moraes, Marques classificou o episódio como “inacreditável” e chamou o ministro de “ditador”.
O senador Carlos Portinho (PL-RJ) afirmou que Moraes estaria atribuindo a Mendonça condutas que, segundo ele, o próprio ministro teria praticado.
Portinho disse ainda que o episódio representaria o enfraquecimento do Poder Judiciário e teria consequências para o país.
O vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), que disputa uma vaga de deputado federal pelo Paraná em 2026, afirmou que Moraes “dobrou a aposta” e avaliou que o presidente do STF, Edson Fachin, terá de escolher entre os dois ministros.
Kilter disse ainda que o Supremo teria chegado a uma situação em que “vence o mais forte”.
“Está fora de si”
O ex-deputado federal e ex-procurador Deltan Dallagnol, candidato do Novo ao Senado pelo Paraná, classificou o episódio como um momento crítico para a República.
Dallagnol questionou a competência de Moraes para fazer acusações contra um colega de Corte e criticou o fato de o próprio ministro conduzir o inquérito.
A economista Marina Helena, candidata do Novo a deputada federal por São Paulo, reagiu com a pergunta “Que loucura é essa?”
Ela afirmou que Moraes estaria usando o inquérito das fake news para retaliar Mendonça e disse que o ministro do STF precisa receber apoio.
Já Fernando Holiday, vereador de São Paulo e candidato do PL a deputado estadual, afirmou que Moraes “está fora de si” e defendeu o afastamento do ministro.

















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