A pressão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pela derrubada do sigilo dos inquéritos do Banco Master ocorreu logo após ele e aliados enxergarem a crise histórica da Corte como forte fator de desgaste eleitoral e crescente ameaça à sua reeleição.

A ordem na campanha foi tentar apagar a associação política facilmente estabelecida na sociedade entre Lula e Alexandre de Moraes, do STF. O afastamento do presidente da República de quem ajudou a sustentar o seu governo evoluiu de mero cuidado para acenar com uma ruptura de saldo incerto.

A aposta de Lula era transformar seu discurso em favor da transparência em antídoto contra a sangria eleitoral. Mas o remédio pode produzir um efeito inverso. O fim do sigilo aprofunda suspeitas sobre Moraes e figuras ligadas ao governo, o que deve ampliar a crise que a campanha queria estancar.

Pesquisas recentes aumentaram a apreensão. No levantamento divulgado em 7 de setembro, a Quaest mostrou Lula e o rival Flávio Bolsonaro (PL) empatados, com 41% cada, no eventual segundo turno. Já a AtlasIntel/Bloomberg registrou avanço do senador e, também, empate técnico entre os dois, ampliando a percepção de uma eleição aberta. A sondagem foi publicada em 10 de setembro.