A produtora Karina da Gama, responsável pelo filme Dark Horse, afirmou que há uma politização nos questionamentos das autoridades sobre as suspeitas envolvendo a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista concedida à CNN Brasil neste sábado (12), ela afirmou que sofre pressão para delatar, mas diz que não irá se tornar “um novo Mauro Cid”, em referência ao delator dos processos do suposto golpe de Estado.

“Porque eu não tenho como incriminar ninguém. Eu não tenho, eu não vi, eu não participei de nada que incrimine pessoas. Tudo que a gente fez foi um filme. Todos os recursos e as emendas que eu trabalhei foi para fazer um projeto social. Eu não fui chamada para fazer um projeto criminoso, eu fui contratada para fazer um projeto cultural, que eu fiz. Eu fui contratada para fazer um projeto social, que é o que eu estou fazendo”, explicou.

Apesar de os recentes levantamentos de sigilo terem atingido mais de 50 processos relacionados ao caso Master sob relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, o caso Dark Horse, nas mãos de Flávio Dino, também foi alvo de divulgação. A Corte se prepara para um julgamento nesta terça-feira (15) que deve focar na crise instaurada após Mendonça expor um relatório da Polícia Federal (PF) que detalha relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Karina disse que nunca teve relação direta com Vorcaro. A produtora afirmou que, por sua posição na elaboração da obra, sempre acreditou que o investidor inicial do filme fosse o fundo Havengate. O inquérito indica uma ponte entre o fundo, originalmente voltado para imóveis no Texas, e Vorcaro, passando pela Entre Investimentos, do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”.