O Supremo Tribunal Federal (STF) deve enfrentar nesta terça-feira (15) uma situação sem precedente em sua história: decidir se um de seus próprios ministros – Alexandre de Moraes – será formalmente investigado.

O julgamento poderá definir não só se haverá investigação sobre Moraes, mas também como ela funcionaria. Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo dizem que não existe um roteiro previamente estabelecido para uma situação como essa e que, caso a apuração seja autorizada, ela poderia envolver quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de Alexandre de Moraes, além de buscas, perícias e depoimentos de outras autoridades, empresários e pessoas que apareçam relacionadas aos fatos.

A Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) determina que, quando a polícia encontra, durante uma investigação, indício de crime praticado por magistrado, deve remeter os autos ao tribunal competente. No caso de Moraes, esse tribunal é o próprio STF, porque a Constituição atribui à Corte o julgamento de crimes comuns praticados por seus ministros.

Apesar dessa previsão, não há na legislação uma sequência detalhada de atos destinada especificamente à abertura de uma investigação contra um ministro da Suprema Corte, afirma Rodrigo Chemim, professor titular de Direito Processual Penal da Universidade Positivo e doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná.