Não é fácil realmente reconhecer nossos erros. Não deveria ser assim. Sempre é tempo de entender as nossas falhas e buscar as correções. Faz parte da vida pedir perdão, expiar pecados e se entregar ao que é honesto. Esse é o único caminho para a redenção. É dever de todo ser humano fazer constantemente um exame de consciência, com base no tempo que já vivemos, nos fatos, no que é indiscutível, nas experiências bem sucedidas e fracassadas, nas referências positivas e negativas. A dor que vem, cada vez que recalculamos a rota, é passageira… Haverá no fim uma paz inigualável.

O jornalista Merval Pereira foi o único na imprensa até agora a fazer um mea culpa. Seria ele um “autoritário em desconstrução”? Se sua transformação ainda não atingiu nem 10% do processo necessário, o que dizer de seus colegas? “Para salvar a democracia”, eles autorizaram os abusos, arbítrios e as ilegalidades praticados por ministros do Supremo, principalmente Alexandre de Moraes. Agora, diante das gravíssimas suspeitas contra o magistrado, de corrupção, advocacia administrativa, exploração de prestígio e obstrução de Justiça, algo mudou, mas é muito pouco.

Não dá para fingir que a maior parte dos jornalistas não tem nada a ver com a censura, com a perseguição política. Eles são cúmplices, são colaboradores do sistema

A imprensa ainda se esforça para tratar o 8 de Janeiro como uma tentativa de golpe de Estado. Ela ainda chama aqueles que, ao longo dos últimos anos, fizeram críticas pertinentes e baseadas em fatos ao STF de “detratores do Supremo”. Como se a mais alta corte do país, ela própria, não se desvalorizasse, desqualificasse e difamasse o suficiente. Quando essa gente vai reconhecer que apoiou de forma criminosa a tirania que tomou conta do Brasil? Não dá para fingir que a maior parte dos jornalistas não tem nada a ver com a censura, com a perseguição política. Eles são cúmplices, são colaboradores do sistema.