O desembargador aposentado Henrique Figueira, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), elogiou o presidente do órgão por sua atuação como governador interino do Rio de Janeiro. Amigo de longa data, ele disse que Couto está retirando o “viés político” da máquina pública fluminense, por meio de uma “limpeza espetacular”.
“Ele está fazendo uma limpeza espetacular. Está arrumando as secretarias, tirando todo o viés político que poderia ter, porque ele não tem nenhum viés político. Mas ele tem capacidade de gestão, ele é craque nisso”, declarou Figueira, em entrevista à Folha de S. Paulo divulgada neste domingo (3).
Couto começou sua trajetória dizendo não estar preparado para o cargo, em razão de seu perfil técnico. Ao longo do exercício interino do cargo, no entanto, já exonerou mais de 500 servidores. Parte das demissões foi motivada por “inconsistências funcionais, como ausência de registro de acesso aos sistemas internos e inexistência de credenciamento institucional”.
Também foi determinado um pente-fino nos contratos com valor acima de R$ 1 milhão e o bloqueio de novas licitações que estejam em desacordo com a previsão orçamentária.
“Quando fui presidente do tribunal, o Ricardo Couto trabalhou junto comigo, me ajudou demais. Naquela época eu vi a noção de administração que ele tem. Ele é espetacular, tem formação nisso”, revelou Figueira.
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Couto assumiu após renúncia de Castro, diante de vácuo na linha sucessória

A chegada de Couto ao cargo remonta a maio de 2025, quanto o vice-governador, Thiago Pampolha, renunciou para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Com isso, o então governador, Cláudio Castro (PL), passou a contar com o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), para assumir em caso de ausências temporárias.
Ocorre que, em dezembro de 2025, a Operação Unha e Carne começa a ensaiar a queda de Bacellar. Ele foi preso preventivamente e afastado da presidência da Alerj, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A Alerj derrubou a prisão, mas Bacellar continuou fora da chefia do Legislativo.
A esta altura, entrou no jogo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em um julgamento que terminaria cassando tanto o mandato de Bacellar quanto de Castro. Antes de o tribunal formar maioria, porém, Castro renunciou. Sem linha sucessória e sem governador, o chefe do Judiciário estadual assumiu.
A linha sucessória já tem um novo ocupante, uma vez que o deputado estadual Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Alerj. Mesmo assim, o Supremo determinou que Couto fique no cargo até uma decisão que possa definir de vez os rumos da política fluminense, definindo se haverá eleição suplementar ou se o próximo governador será escolhido por eleição indireta dos deputados estaduais.

















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