
A União Europeia e o governo dos Estados Unidos reagiram nesta terça-feira (19) à escalada de protestos e bloqueios na Bolívia em atos, em grande parte promovidos pela esquerda, contra o presidente Rodrigo Paz, de centro-direita. Enquanto os europeus pediram “calma e diálogo” no país, Washington afirmou que a Bolívia está sendo alvo neste momento de uma tentativa de golpe contra um governo eleito democraticamente.
O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, apontou que os protestos violentos que se espalham pelo país estão sendo promovidos neste momento por setores que perderam “de forma esmagadora” as eleições do ano passado e agora tentam derrubar Paz com apoio do crime organizado e de narcotraficantes.
“Não nos enganemos: aqueles que perderam de forma esmagadora nas urnas na Bolívia no ano passado estão tentando derrubar o presidente Rodrigo Paz organizando tumultos e bloqueios com o apoio do crime organizado e de narcotraficantes”, escreveu Landau em seu perfil no X.
O diplomata americano afirmou ainda ter conversado por telefone com Paz e garantido que os Estados Unidos apoiam o governo constitucional legítimo da Bolívia. Em declaração posterior, Landau também classificou a crise como “um golpe de Estado em andamento” financiado por uma “aliança perversa entre a política e o crime organizado”.
A União Europeia adotou tom mais cauteloso. Em comunicado conjunto com as embaixadas de Alemanha, Espanha, França, Itália e Suécia em La Paz, o bloco pediu respeito à democracia, à ordem constitucional e às instituições bolivianas, além de condenar os atos de violência.
As manifestações em curso começaram com reivindicações sindicais, mas passaram a incluir pedidos de renúncia de Paz. Segundo autoridades bolivianas citadas, os protestos já deixaram ao menos dez feridos e 69 detidos, com bloqueios nas regiões de La Paz, Oruro e Cochabamba, além de ataques a prédios públicos, saques e a queima de um veículo policial.
A crise se intensificou na última semana com a adesão de sindicatos e outros setores ligados ao ex-presidente Evo Morales. Morales chamou os protestos de “elevação do povo” e acusou o governo Paz de aplicar políticas “neoliberais”.
31 ex-presidentes reunidos no Grupo Idea pediram nesta terça-feira que a Organização dos Estados Americanos (OEA) e governos democráticos das Américas acompanhem a situação na Bolívia. O grupo afirmou que a manipulação política dos manifestações em curso pode afetar a estabilidade das instituições democráticas do país.

















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