A decisão da Justiça de obrigar as Casas Bahia a recontratar funcionários mostra o completo desconhecimento de noções econômicas de algumas autoridades do Poder Judiciário do Brasil. Se as Casas Bahia entraram com um pedido de recuperação judicial e promoveram demissões em massa, é porque a empresa não tem mais condições de pagar muitos colaboradores. A demissão ocorreu justamente para evitar a falência, situação na qual todos perderiam o seu emprego.

Entretanto, essa obviedade passa longe de muitos juízes que enxergam os acionistas e empresários como seres gananciosos que poderiam pagar mais, mas preferem não fazer isso para ter lucros. Essa visão não se sustenta por uma simples razão: por que, então, as Casas Bahia não cortaram funcionários nessa escala bem antes do pedido de recuperação judicial, quando a empresa ainda era lucrativa?

Nenhuma empresa gosta de demitir funcionários. Ela o faz quando é necessário para manter a viabilidade econômica do negócio. Da mesma maneira, uma firma contrata colaboradores não por caridade, mas porque é necessário para a expansão da operação e para obter mais lucros.

O ponto central é que nenhuma empresa contrata ou demite porque tem bom ou mau coração. A admissão ou demissão segue uma lógica econômica racional baseada em lucro, custos e produtividade.